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Adriana Vasconcelos
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Adriana Vasconcelos
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Adriana Vasconcelos
Direitos das mulheres
18/5/2026 11:43
Nada define melhor a quadra que as brasileiras ainda enfrentam neste Século XXI do que a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada na semana passada, ao validar a lei de 2023 que assegurou a igualdade salarial entre homens e mulheres. Algo que soa absurdo em uma dita democracia regida pela Constituição de 1988, que no artigo 5º, inciso I, já assegura a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. No dia a dia, contudo, ainda precisamos de lei para garantir o óbvio — salário igual para trabalho igual.
Assim, não nos surpreende que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Partido Novo tenham questionado esse direito óbvio em duas ações diretas de inconstitucionalidade. A ministra Cármen Lúcia, única mulher atualmente na Suprema Corte, reforça a urgência da vigilância permanente, pois esse recurso é a prova viva de que o preconceito contra a mulher segue vivo e, mais do que isso, está na ordem do dia.
A ministra, aliás, tem sido incansável na nossa luta por respeito aos direitos consagrados pela legislação em vigor e reage aos que preferem dividir conosco a responsabilidade pelo quadro de desequilíbrio. "Dizem que fomos silenciosas por muito tempo. Mentira! Nós fomos silenciadas, mas continuamos falando", rebateu na semana passada.
Uma postura que reforça que a presença de mulheres em espaços de poder — antes monopólio masculino — não é luxo. É essencial!
A igualdade salarial, mais do que justa, é um imperativo para 52% das mulheres que lideram atualmente os lares brasileiros, de acordo com dados do IBGE. São 41 milhões de domicílios onde elas são as principais provedoras financeiras. Vale ressaltar também outro número constatado no censo de 2022: nada menos do que 7,8 milhões de brasileiras cuidam de seus filhos sem qualquer ajuda de um cônjuge.
Mães, que além da discriminação no ambiente de trabalho, ainda têm de lidar com as mazelas de um país onde a violência contra as mulheres as atinge cada vez mais cedo. Diariamente, o noticiário escancara agressões perpetradas por homens cada vez mais jovens, doutrinados pela chamada cultura Red Pill. Eles se sentem tão impunes que filmam e publicam seus próprios crimes. Na semana passada, uma menina de apenas 12 anos foi estuprada por oito menores em Campo Grande. Oito. A infância roubada, documentada, compartilhada como troféu.
É por isso que o encontro "Mulheres que Pensam o Brasil" — marcado para 21 de maio, no Plenário 2 da Ala Nilo Coelho, do Senado Federal — assume urgência histórica. A iniciativa reúne lideranças femininas de diferentes áreas para construir, coletivamente, a "Carta das Mulheres que Pensam o Brasil": um documento suprapartidário e intergeracional que consolida nossas propostas e compromissos.
Uma iniciativa articulada por organizações e redes voltadas ao fortalecimento da participação feminina, da governança democrática e da agenda ESG, entre elas Quero Você Eleita (QVE), Instituto Global ESG, Elas Pedem Vista, Elas no Poder, RIG – Mulheres em Relações Governamentais, Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP), Rede Governança Brasil (RGB) e Lumine Comunicação.
A ideia é entregar essa Carta aos presidenciáveis e identificar aqueles realmente comprometidos com as dores e demandas de 52% do eleitorado nacional. Sabemos o que queremos. Estamos cansadas de discursos vazios, desconectados das nossas prioridades. Agora, vamos cobrar respostas.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].