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O país menos corrupto do mundo é governado por uma mulher

Estudos associam maior participação feminina nos espaços de poder a menor corrupção, mais investimentos sociais e decisões públicas mais equilibradas.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

3/8/2026 11:00

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Quando o assunto é corrupção, a Dinamarca é o país que o mundo aponta como exemplo. Pelo oitavo ano consecutivo, lidera o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, com 89 pontos em 100, à frente de Finlândia, Singapura e Noruega. Desde junho deste ano, a social-democrata Mette Frederiksen cumpre o terceiro mandato consecutivo como primeira-ministra, cargo que ocupa desde 2019.

Seu gabinete histórico conta com maioria feminina entre os ministros e a participação das mulheres no Parlamento, o Folketinget, está entre as mais altas da Europa — um modelo consolidado de igualdade, que combina forte Estado de bem-estar social com rigorosa integridade institucional, numa tradição de transparência que remonta a reformas do século XVII.

A coincidência não é casual. Estudos globais mostram que gestões com maior participação feminina tendem a produzir melhores resultados. Uma pesquisa publicada em 2018 no Journal of Economic Behavior & Organization, dos economistas Chandan Jha e Sudipta Sarangi, analisou dados de mais de 125 países e comprovou que a corrupção é menor onde mais mulheres participam do governo: a presença feminina muda a formulação de políticas, direcionando o orçamento para o bem-estar coletivo.

Evidências mostram que ampliar a representação feminina contribui para fortalecer a transparência, aperfeiçoar políticas públicas e ampliar o foco no interesse coletivo.

Evidências mostram que ampliar a representação feminina contribui para fortalecer a transparência, aperfeiçoar políticas públicas e ampliar o foco no interesse coletivo.Magnific

No Brasil, um levantamento do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, encomendado pela Fundação Lemann em 2023, detectou que lideranças públicas femininas têm até 35% menos chances de se envolver em escândalos de corrupção. E não é só corrupção. A literatura acadêmica aponta quatro características que costumam marcar as administrações femininas:

  • Mais investimento em educação e saúde: Pesquisa da Universidade do Colorado mostra que, quando mulheres ganham poder em Legislativos nacionais, os países passam a gastar mais com educação e saúde.
  • Mais políticas voltadas às famílias: A revisão da Annual Reviews (2024) sobre cotas de gênero indica que mais mulheres no Poder geram também mais atenção a direitos da população feminina, saúde pública e alívio da pobreza.
  • Menores índices de corrupção: Já os estudos de Jha e Sarangi (2018) e do Insper (2023) reforçam que a entrada consistente de mulheres reduz espaços para desvios.
  • Decisões mais equilibradas: Um estudo publicado em 2021 no Journal of Development Economics, analisando dados de 2020, comprovou que cidades comandadas por prefeitas tiveram entre 37% e 44% menos mortes por Covid-19 e entre 30% e 33% menos hospitalizações por 100 mil habitantes. Isso significa que se metade dos municípios tivesse prefeitas em vez de prefeitos, a primeira onda da pandemia no país teria deixado 14% menos mortes.

Não se trata de afirmar que mulheres seriam "inerentemente" mais honestas ou capazes que homens, mas de reconhecer que mais diversidade no Poder muda prioridades, reduz espaços opacos de decisão e aproxima a gestão do bem comum. Um benefício evidente para toda sociedade, não só para elas.

Para o Brasil, lição é clara: investir na representatividade feminina não é apenas pauta de justiça social — é estratégia de boa governança. #FicaADica!


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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