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Adriana Vasconcelos
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O longo caminho até a paridade de gênero nas eleições brasileiras
Adriana Vasconcelos
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Eleições 2026
8/9/2026 11:36
Na última semana, durante a mentoria para candidatas da comunidade Quero Você Eleita, fiz um alerta sobre as promessas quase sempre para lá de generosas feitas pelas direções partidárias antes de uma liderança feminina se dispor a compor chapas para as eleições proporcionais. Confirmada a candidatura, o suporte partidário e financeiro prometido raramente chega — e, sem ele, qualquer estruturação profissional e competitiva de campanha, condição básica para uma vitória eleitoral, fica inviabilizada.
A verdade é que não bastam bons propósitos e propostas bem construídas para conquistar a atenção do eleitor. Salvo se for uma celebridade conhecida do público ou tiver um padrinho forte, são raros os casos de novatos que conseguem vencer uma eleição sem um investimento mínimo — que é alto para os padrões de um país em que o salário mínimo atual é de R$ 1.621.
A democracia custa dinheiro. E sem um investimento mínimo, é praticamente impossível um candidato — ou, especialmente, uma candidata — ter sucesso em sua jornada num país de dimensões continentais como o nosso.
A maioria das novatas entra iludida na disputa, embalada pelas promessas de recursos do fundo eleitoral, de apoio logístico e de material gráfico. Na expectativa de que terão respaldo financeiro, começam a contratar suas equipes, que passam a trabalhar antes mesmo de assinar contratos. E a bola de neve começa a se formar. A maioria não chega nem a receber os recursos. Outras gastam o pouco que recebem — muito para a realidade delas — em despesas não eleitorais e acabam sendo punidas pela Justiça.
É preciso reconhecer que muitos homens novatos na política costumam cair na mesma esparrela partidária e têm o mesmo destino das candidatas mulheres. A diferença é que elas são cooptadas apenas para cumprir as cotas obrigatórias de candidaturas femininas, enquanto os 30% da verba do fundo eleitoral que deveriam ser destinados a elas acabam desviados para candidaturas masculinas prioritárias para o partido.
A ameaça de cassação total da chapa e as multas previstas na legislação eleitoral em vigor não costumam inibir a burla dessa exigência de investimento mínimo nas candidaturas femininas. Ainda mais porque viraram rotineiras as aprovações de sucessivas anistias eleitorais no Congresso Nacional, com a conivência de praticamente todas as legendas partidárias, independentemente do espectro ideológico.
Diante dos relatos reservados que ouvi de diferentes candidatas pelo país, essa máxima segue valendo na atual eleição — que registrou, pela primeira vez, uma redução de 24% no número geral de candidaturas femininas para a Câmara dos Deputados em relação à disputa de 2022, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Nossa democracia só se consolidará realmente quando tivermos uma representação equitativa de homens e mulheres nos 3 Poderes da República. Essa é a principal reflexão que a sociedade precisará fazer ao longo desta eleição e durante os próximos 4 anos.
Já passou da hora de discutirmos a paridade de gênero nos Três Poderes da República. Agora a realidade se impõe! Somos a maioria da população brasileira, do eleitorado e das chefes de família. Não existe democracia efetiva sem a participação feminina.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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