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Adriana Vasconcelos
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Feminicídios em alta: as mulheres nas urnas podem cobrar essa conta
Adriana Vasconcelos
Uma realidade que coloca Janja, Michelle e Damares do mesmo lado
Eleições 2026
24/8/2026 11:00
Os números falam por si. Nas eleições de 2026, as candidaturas femininas representam apenas 34,6% do total registrado pela Justiça Eleitoral — pouco acima do piso mínimo de 30% fixado pela reforma eleitoral de 2009, há 17 anos. E não venham com o batido discurso de que isso reflete uma suposta falta de apetite feminino pela política.
Furar a bolha em um ambiente ainda majoritariamente masculino exige muito mais do que apetite político. Exige, sobretudo, a disposição de quem está no poder de abrir espaço — e essa disposição, até aqui, tem sido rara. Nenhum deles parece disposto a ceder o lugar que por direito pertence a elas, num país onde as mulheres já são a maioria do eleitorado e da própria população.
O que impõe uma reflexão urgente e necessária à sociedade: as brasileiras são maioria e precisam se posicionar para que essa maioria seja percebida, ouvida e tenha voz e vez!
Embora a Justiça Eleitoral tenha ensaiado, nos últimos anos, um movimento de incentivo à participação feminina, o discurso ainda está distante da prática. Falta reação às anistias constantes aprovadas pelo Legislativo para suspender as penalidades de legendas que descumprem a legislação eleitoral em vigor. E as punições pela violência política de gênero só começaram a ser aplicadas este ano, pela primeira vez.
Apenas um partido tem mais mulheres do que homens entre seus candidatos este ano: a Unidade Popular, uma das duas legendas que registraram candidaturas femininas para a disputa presidencial. Mas, das 7.140 candidaturas femininas registradas pela Justiça Eleitoral, 98,3% disputam vagas no Legislativo. Apenas 32 mulheres concorrem a cargos do Executivo e 8, a vice.
Depois de uma ligeira queda em 2022, o número de candidatas ao Senado voltou a subir: serão 69 concorrendo a vagas este ano, em 26 estados e no Distrito Federal — a primeira vez que todas as unidades da federação terão ao menos uma candidata. A maior concentração está em três estados: Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo, cada um com 5 candidatas. Mesmo assim, as candidaturas femininas representam apenas 22% do total.
O resultado prático disso justifica o 134º lugar do Brasil entre 183 países no ranking mundial de participação feminina, segundo o estudo "A democracia incompleta: a sub-representação feminina na política brasileira e caminhos para a paridade", do Instituto Esfera. O país ocupa a última posição entre os países latino-americanos.
Mais do que um tema da "moda", como chegou a classificar um dos candidatos ao governo de Minas Gerais em debate na TV, as mulheres chegaram para ficar. E não para ocupar apenas os 30% mínimos sugeridos pela legislação eleitoral, mas dispostas a ampliar essa participação — e quem sabe, um dia, chegarmos à paridade.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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