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Feminicídios em alta: as mulheres nas urnas podem cobrar essa conta

Alta nos assassinatos de mulheres em 2025 expõe a urgência de transformar o protagonismo feminino nas eleições em políticas públicas capazes de enfrentar a violência de gênero.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

27/7/2026 11:00

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Na mesma semana em que o papel das mulheres nas eleições de 2026 mostrou seu protagonismo — com direito a pedido de desculpas público e destaque para um vídeo de Michelle Bolsonaro na convenção nacional do PL que homologou a candidatura presidencial de seu enteado Flávio Bolsonaro —, ficou mais evidente do que nunca que "essas protagonistas femininas" (independentemente da ala ideológica que representam) precisam fazer valer sua força política para frear a violência crescente sobre a maioria do eleitorado nacional.

Os dados do Anuário de Segurança Pública, divulgado no último dia 23 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, são alarmantes para a população feminina, a despeito da queda de 8% nos registros sobre mortes violentas no Brasil em 2025. Em rota contrária, 1.571 brasileiras foram vítimas de feminicídios no ano passado — um crescimento de 4% em relação a 2024.

Uma média de quatro mortes por dia. Cerca de 96% desses casos foram cometidos por companheiros ou ex-parceiros, e até 65% desses assassinatos ocorreram dentro de casa. Pior: para cada um desses feminicídios consumados, foram registrados 502 casos de ameaça, 182 agressões físicas e 79 de perseguição contra mulheres, ainda segundo os levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Essas estatísticas ganham nomes e rostos quando jogamos luz sobre três crimes brutais ocorridos em menos de três dias em Belo Horizonte: dois feminicídios e uma tentativa. A única vítima que sobreviveu foi espancada e arremessada de um imóvel na Região Leste da capital mineira. As outras duas não resistiram — entre elas, a capitã da PM Michele Leão Azevedo, vítima do próprio marido, morta com traumatismo craniano e outras múltiplas lesões. O Estado registra uma média alarmante de sete vítimas de feminicídios a cada semana, entre casos consumados e tentativas.

Crescimento dos feminicídios e milhares de casos de violência contra mulheres mostram que a disputa eleitoral de 2026 deve colocar a proteção da vida feminina no centro do debate.

Crescimento dos feminicídios e milhares de casos de violência contra mulheres mostram que a disputa eleitoral de 2026 deve colocar a proteção da vida feminina no centro do debate.Magnific

E as ameaças à nossa sobrevivência em pleno século XXI não param por aí. Também entraram no Anuário de Segurança Pública de 2025 nada menos que 84.388 casos de estupro de mulheres e vulneráveis — uma contabilização de 231 ocorrências por dia. Isso mesmo tendo sido registrada uma queda neste número em relação ao ano anterior. Aliás, essa foi a primeira redução percebida após uma sequência de crescimentos desde a pandemia.

O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio Lima, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, fez um alerta com o objetivo de tentar frear essa alta de feminicídios no país. Ele destacou que o uso das tornozeleiras eletrônicas — que passaram a ser usadas no país no controle de agressores com medidas protetivas — não tem conseguido atingir seu objetivo principal, diante do histórico de ineficiência do poder público na fiscalização e responsabilização desses agressores.

Precisamos acelerar as políticas públicas em defesa da segurança das brasileiras. O momento de pressionar e cobrar compromisso com a vida das mulheres é agora, tendo em vista que estamos, mais uma vez, às vésperas do início das campanhas eleitorais. Essa cruzada começa com seu voto em outubro.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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protagonismo feminino violência contra a mulher eleições 2026 feminicidio

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