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Cris Monteiro
Cris Monteiro
Cidades
30/10/2026 14:00
A inteligência artificial e a inovação estão transformando o mundo e abrindo novas possibilidades para as grandes cidades. Mas essa transformação precisa caminhar junto com a modernização da infraestrutura urbana. Afinal, como podemos falar em cidades inteligentes quando uma chuva forte ainda é capaz de deixar bairros inteiros sem energia, alagar túneis, paralisar semáforos e interromper serviços essenciais? São Paulo, o maior centro econômico do Brasil, ainda enfrenta desafios estruturais que exigem soluções à altura de sua importância.
Basta caminhar pela capital para encontrar postes sobrecarregados de fios, calçadas estreitas e irregulares, iluminação inadequada e redes de serviços públicos que parecem ter crescido sem planejamento. Além da poluição visual, essa infraestrutura defasada compromete a segurança, a mobilidade e a qualidade de vida da população.
As consequências ficam ainda mais evidentes durante os temporais, sempre nas mesmas épocas do ano. Quedas de árvores e danos à rede elétrica provocam apagões prolongados, prejudicam o comércio, interrompem atividades econômicas e transtornam a rotina de milhões de pessoas. A cada nova tempestade, repetem-se problemas que poderiam ser reduzidos com planejamento e investimentos preventivos.
Uma das soluções é ampliar gradualmente o enterramento das redes elétricas e de telecomunicações. Além de reduzir a exposição dos cabos a eventos climáticos, a medida contribui para organizar a paisagem urbana, melhorar a segurança e permitir uma arborização mais adequada.
Cidades como Singapura demonstram a importância de planejar também o subsolo, integrando diferentes redes de infraestrutura e otimizando o uso do espaço urbano. São Paulo pode avançar nessa direção, aproveitando grandes intervenções viárias para modernizar simultaneamente a fiação, a drenagem, a iluminação pública e as calçadas, evitando obras repetidas e desperdício de recursos.
Mas como viabilizar essa transformação sem depender exclusivamente dos cofres públicos? Afinal, não é barato. Uma alternativa é criar incentivos para que empresas participem diretamente da modernização urbana, seja financiando o enterramento de redes, a ampliação de calçadas, a melhoria da acessibilidade ou a instalação de iluminação pública. Entre os mecanismos possíveis estão a prioridade na análise de licenciamentos e a concessão de benefícios tributários. Parcerias entre o poder público e a iniciativa privada também podem viabilizar intervenções, compartilhando investimentos e responsabilidades.
Esses instrumentos devem estar associados a critérios técnicos, contrapartidas proporcionais, transparência e metas claras, garantindo que os benefícios sejam efetivamente percebidos pela população. Uma infraestrutura urbana eficiente favorece moradores, comerciantes, empresas e toda a economia da cidade.
Modernizar São Paulo não é apenas uma questão estética. É reduzir prejuízos, melhorar a acessibilidade, aumentar a segurança e transformar a infraestrutura urbana em um instrumento de desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
Uma cidade verdadeiramente inteligente não é aquela que apenas incorpora novas tecnologias, mas aquela que antecipa problemas, utiliza melhor seus recursos e funciona bem até nos dias de chuva. O futuro das nossas cidades também começa debaixo da terra.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
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