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Mais opções, melhores resultados: por que precisamos discutir novos modelos de gestão para a educação pública

Experiências em São Paulo e no Paraná indicam que modelos de gestão compartilhada podem reduzir aulas vagas, melhorar a infraestrutura e ampliar a satisfação das famílias sem deixar de ser financiados pelo poder público.

Cris Monteiro

Cris Monteiro

14/7/2026 13:00

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Durante muito tempo, o debate sobre educação no Brasil ficou preso à falsa ideia de que existe apenas um modelo possível de escola pública. Enquanto isso, milhões de famílias seguem convivendo com problemas como aulas vagas, dificuldades de gestão, infraestrutura precária e baixo desempenho escolar.

A experiência de escolas conveniadas e de modelos de gestão compartilhada mostra que é possível pensar diferente. O importante não é quem administra a escola, mas se os alunos aprendem mais, se as famílias estão satisfeitas e se a gestão consegue entregar melhores resultados.

Em São Paulo, o Liceu Coração de Jesus é um exemplo dessa oportunidade. Fundado há mais de um século e localizado na região central da cidade, uma área que há anos enfrenta os desafios da Cracolândia e sofre com a degradação urbana, o tradicional prédio chegou a correr o risco de encerrar suas atividades. Para preservar esse patrimônio histórico, ampliar a oferta de vagas públicas e contribuir para a revitalização da região, a prefeitura firmou uma parceria que manteve a própria instituição Liceu Coração de Jesus na gestão da escola, agora pública, gratuita e financiada pelo poder público. Dessa forma, a experiência acumulada pela instituição permanece à frente da administração da unidade, enquanto o Estado financia e fiscaliza o serviço prestado.

Esse modelo, conhecido internacionalmente como charter school, combina financiamento público com uma gestão mais autônoma, sempre sob metas e fiscalização do poder público. Em diversos países, essa experiência tem mostrado que uma gestão mais eficiente pode melhorar os resultados dos alunos. A importância da boa gestão também é comprovada por estudos. O pesquisador Ricardo Paes de Barros, do Insper, estima que elevar o desempenho dos 10% piores diretores ao nível da média nacional geraria um impacto de cerca de R$ 70 bilhões na renda futura dos estudantes. Melhorar a gestão vale a pena.

No Brasil, experiências recentes também ajudam a enriquecer esse debate. O Programa Parceiro da Escola, implantado pelo Governo do Paraná em 82 escolas estaduais, trouxe indicadores relevantes já no primeiro semestre de funcionamento. Pesquisa realizada com mais de 2 mil pais mostrou que 86,5% aprovam o programa, 84,2% recomendariam o modelo a outras famílias e 92,2% afirmam que a escola cuida bem de seus filhos.

Experiências de gestão compartilhada em escolas públicas reforçam o debate sobre inovação na educação, com foco na aprendizagem, na redução de aulas vagas e na melhoria da gestão escolar.

Experiências de gestão compartilhada em escolas públicas reforçam o debate sobre inovação na educação, com foco na aprendizagem, na redução de aulas vagas e na melhoria da gestão escolar.Magnific

Os resultados administrativos também chamam atenção. Segundo dados da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, 99% das escolas participantes deixaram de registrar aulas vagas, uma das principais reclamações das famílias. Além disso, 67% das escolas ampliaram o acompanhamento pedagógico em sala de aula, houve melhorias na infraestrutura, reparos mais rápidos e maior participação dos diretores em programas de formação continuada. Entre as mudanças mais percebidas pelos pais estão a redução da falta de professores, melhorias na conservação das escolas e maior agilidade na resolução de problemas do dia a dia.

Esses números não encerram o debate, mas mostram que modelos alternativos merecem ser avaliados com seriedade e com base em evidências, e não apenas em posições ideológicas.

É natural que existam divergências. Sindicatos de professores não podem impedir que novas experiências sejam testadas quando elas têm potencial para beneficiar os alunos. O foco da política educacional deve estar na qualidade do ensino, e não na preservação de um único modelo de gestão.

No fim das contas, a principal pergunta continua sendo a mesma: o que é melhor para os alunos?

A população quer escolas que ensinem, que acolham, que mantenham professores em sala de aula e que ofereçam um ambiente adequado para aprender. Os pais querem participar da escolha da educação de seus filhos. Se uma família acredita que um determinado modelo atende melhor às necessidades de seu filho, ela deve ter essa opção.

Modelos diferentes não significam abandonar a educação pública. Significam ampliar as possibilidades para que mais crianças tenham acesso a uma escola de qualidade. Se uma forma de gestão consegue reduzir aulas vagas, melhorar a infraestrutura, aumentar a satisfação das famílias e contribuir para uma aprendizagem melhor, ela merece ser considerada, acompanhada e avaliada. A educação deve estar aberta à inovação, sempre com responsabilidade, transparência e foco naquilo que realmente importa: o futuro dos nossos jovens.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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