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Relações exteriores
Congresso em Foco
1/6/2026 | Atualizado às 15:51
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas repercutiu entre autoridades brasileiras no Fórum de Lisboa.
Embora tenham reconhecido a gravidade da atuação das facções criminosas, os participantes defenderam que o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer sob liderança do Estado brasileiro e sem interferências externas.
O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado dos EUA na quinta-feira (28), poucos dias após reuniões do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com autoridades americanas. A medida amplia sanções financeiras e restrições contra integrantes e apoiadores dos grupos criminosos.
Gilmar cita soberania e confia na resposta institucional
O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que a decisão dos Estados Unidos deve ser analisada com cautela e defendeu a capacidade das instituições brasileiras de responder ao debate preservando a soberania nacional.
"Isso tudo tem que ser olhado com bastante cuidado e nós temos sabido fazer a defesa da nossa soberania."
Segundo o ministro, o país tem demonstrado maturidade institucional diante de desafios recentes envolvendo temas como a Lei Magnitsky e as disputas em torno da regulação das redes sociais.
"Eu tenho a impressão que o Brasil tem sabido responder bem a essas contingências. Nós temos um país que é maduro em termos institucionais e tem se revelado forte nessas várias crises."
Gilmar também comparou os episódios de invasão às sedes dos Poderes no Brasil e nos Estados Unidos para destacar a capacidade de reação das instituições brasileiras.
"O 6 de janeiro deles e o nosso 8 de janeiro tiveram desfechos diferentes", disse.
Kassab defende diálogo com respeito à soberania
Secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab afirmou que o avanço do crime organizado preocupa governos de diferentes países, mas ressaltou que qualquer cooperação internacional deve respeitar a autonomia brasileira.
"O Brasil hoje, infelizmente, convive com um crime organizado cada vez mais ousado, um crime organizado que pode se aproximar, em algum momento, do que há de pior no mundo."
Segundo ele, é natural que os Estados Unidos acompanhem o tema, mas a relação deve ocorrer sem interferências externas.
"Esperamos que possamos ter uma convivência respeitosa para que seja respeitada a soberania do Brasil", declarou.
Helder defende cooperação sem intervenção
Helder Barbalho também criticou o que chamou de "iniciativas de agentes políticos brasileiros que recorrem a governos estrangeiros para tratar de questões nacionais".
Segundo ele, o Brasil deve liderar o combate ao crime organizado, ainda que mantenha cooperação com outros países.
"O Brasil deve estar aberto a parcerias e cooperações para que a inteligência e a troca de informações permitam o enfrentamento ao crime. Cooperação não deve ser interpretada como intervenção."
Helder também criticou iniciativas de agentes políticos brasileiros que recorrem a governos estrangeiros para tratar de questões nacionais. Segundo o ex-governador do Pará, os representantes do país devem dialogar entre si e construir soluções de forma conjunta.
Na avaliação dele, buscar apoio externo em vez de discutir o tema no âmbito das instituições brasileiras é um equívoco que pode abrir precedentes perigosos e representar uma ameaça à soberania nacional.
"Temos que sempre pensar, acima de tudo, no Brasil. Não se pode, na busca de uma vitória de momento ou da construção de uma narrativa, abrir um precedente que possa trazer consequências diversas para o nosso país."
Jader diz que combte às facções cabe aos brasileiros
Ex-ministro das Cidades e pré-candidato a deputado federal pelo Pará, Jader Filho também criticou a possibilidade de interferência estrangeira em assuntos internos do país.
"Primeiramente, acho que a gente precisa cada vez mais fortalecer a soberania dos países. Não vejo como um país pode intervir na ação dos outros."
Apesar das críticas à atuação dos Estados Unidos, Jader defendeu o endurecimento do combate às organizações criminosas. Segundo ele, o país precisa agir com mais firmeza no enfrentamento à criminalidade, mas essa é uma responsabilidade que cabe exclusivamente aos brasileiros.
Na avaliação do ex-ministro, o combate às facções deve permanecer sob o comando das instituições nacionais.
"Nós temos que resolver os nossos problemas. Ninguém tem que intervir em um país de ninguém. O Brasil é um país soberano, o dono do Brasil são os brasileiros e os Estados Unidos não têm nada a ver com isso."
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