Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Escala 6x1: veja as diferenças entre o projeto do governo e as PECs

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

REDUÇÃO DA JORNADA

Escala 6x1: veja as diferenças entre o projeto do governo e as PECs

Projeto do governo e propostas em análise na Câmara apontam convergências sobre a redução da jornada, mas mantêm divergências sobre modelo, prazo de transição e custos.

Congresso em Foco

16/4/2026 | Atualizado às 12:19

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

O debate sobre o fim da escala 6x1 avançou por dois caminhos no Congresso. De um lado, o governo enviou um projeto de lei que altera a CLT e outras normas para reduzir a jornada para 40 horas semanais, garantir dois dias de descanso e manter os salários. De outro, o deputado Paulo Azi (União-BA) apresentou parecer pela admissibilidade de duas propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o mesmo tema.

Na prática, isso significa que, se o relatório for aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), as PECs seguirão para uma comissão especial, onde o mérito será analisado. É nesta fase que são feitas as principais alterações, o que aumenta a importância do relator, cujo nome ainda não foi anunciado.

Apesar das diferenças, há um ponto de convergência: o debate hoje parece mais concentrado na troca da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, do que na adoção imediata da semana de quatro dias. O impasse está em outro ponto: como fazer essa mudança, em quanto tempo e por qual instrumento jurídico.

Veja a íntegra do projeto de lei do governo.

Veja o relatório de Paulo Azi na CCJ.

Motta prefere que redução da jornada seja tratada por PEC; Lula, por projeto de lei. Os dois defendem o fim da escala 6x1.

Motta prefere que redução da jornada seja tratada por PEC; Lula, por projeto de lei. Os dois defendem o fim da escala 6x1.Pedro Ladeira/Folhapress

As disputas em jogo

Os defensores da redução da jornada contam com a pressão do governo federal, das centrais sindicais, do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de parlamentares do campo trabalhista. Esse grupo associa o fim da escala 6x1 à redução de adoecimento, acidentes e rotatividade, além de defender mais tempo para descanso e convivência familiar.

Do outro lado, a resistência à mudança é forte. Atuam nesse campo confederações patronais e setores como comércio, serviços, indústria, transporte e agropecuária, que alertam para aumento de custos, demissões, informalidade e maior impacto sobre micro e pequenas empresas. Por isso, defendem transição gradual, flexibilidade para escalas especiais e maior peso da negociação coletiva.

Leia Mais

Frente do empreendedorismo quer adiar debate da 6x1 para após eleições

Hugo Motta manifestou ao presidente Lula que prefere que o assunto seja tratado por PEC. Mesmo assim, Lula optou por enviar um projeto de lei com urgência constitucional, o que obriga cada Casa a votar o texto em até 45 dias. Com o projeto, o presidente também garante o direito de vetar trechos dos quais discorde, o que não é possível fazer em emenda constitucional, promulgada pelo próprio Congresso.

"Nós já havíamos traçado uma tramitação para que a matéria seja apreciada através de propostas de emenda à Constituição e eu estou aqui dando seguimento ao cronograma já pré-estabelecido. Da mesma forma que é um direito do presidente mandar o projeto de lei com urgência, é um direito do presidente da Câmara decidir a tramitação das matérias legislativas aqui na Casa", declarou Hugo Motta nessa quarta-feira, ao anunciar celeridade para a votação.

PEC e projeto de lei: qual é a diferença

Essa é a primeira distinção a ser feita.

O projeto de lei altera normas já existentes, como a CLT. Em geral, é mais fácil de aprovar e também mais simples de mudar depois.

A PEC altera a Constituição. Exige votação mais dura, com apoio de três quintos da Câmara e do Senado, em dois turnos, e torna a regra mais rígida no futuro.

Na prática, o governo escolheu um caminho mais flexível. Já Paulo Azi alerta, em seu parecer, que incluir uma escala específica na Constituição pode engessar o tema e reduzir a margem de adaptação para diferentes setores da economia.

O que propõe o governo

O projeto do Executivo prevê:

  • jornada de até 8 horas por dia e 40 horas por semana;
  • dois repousos semanais remunerados de 24 horas;
  • preferência para que esses descansos coincidam com sábado e domingo, quando possível;
  • proibição de redução salarial com a mudança;
  • manutenção da negociação coletiva para ajustar a regra à realidade de cada categoria;
  • preservação de jornadas especiais, como a 12x36, desde que a média semanal respeite o teto de 40 horas.

O texto também altera regras de várias categorias, como empregados do comércio, domésticos, radialistas e atletas. Na justificativa, o Ministério do Trabalho afirma que a proposta busca enfrentar os efeitos da escala 6x1 sobre a saúde, o descanso e a qualidade de vida dos trabalhadores, sem eliminar a possibilidade de negociação entre patrões e empregados.

O que diz o parecer de Paulo Azi

O parecer de Paulo Azi não cria, por si só, uma nova jornada. Neste momento, ele apenas analisa se duas PECs podem continuar tramitando.

As propostas analisadas são a PEC 221/2019, apresentada por Reginaldo Lopes (PT-MG), que reduz a jornada para 36 horas semanais em 10 anos, e a PEC 8/2025, apresentada por Erika Hilton (Psol-SP), que propõe quatro dias de trabalho por semana, com limite de 8 horas por dia e 36 horas semanais.

O relator conclui que as duas PECs são admissíveis, por atenderem aos critérios de constitucionalidade, legalidade, juridicidade e técnica legislativa. Mas o relatório vai além desse aval formal. Ele resume audiências públicas, reúne argumentos favoráveis e contrários e antecipa os temas que precisarão ser enfrentados na próxima etapa da tramitação: impacto econômico, transição, negociação coletiva, micro e pequenas empresas e possíveis compensações.

Paulo Azi também aponta um problema na PEC 8/2025: se a proposta fala em quatro dias de trabalho por semana com oito horas por dia, o resultado é 32 horas semanais, e não 36. Para ele, isso não impede a tramitação, mas mostra que o texto ainda precisa ser ajustado.

Onde há convergência

Os dois caminhos não são idênticos, mas se aproximam em pontos importantes.

Fim da lógica da 6x1

O projeto do governo garante dois descansos semanais. O parecer registra que o debate na Câmara caminha para substituir a escala 6x1 por um modelo 5x2.

Redução da jornada sem corte de salário

O projeto do governo veda redução salarial. No parecer, Azi registra que governo e centrais sindicais defendem a redução sem perda de remuneração.

Peso da negociação coletiva

O governo preserva acordos coletivos para acomodar particularidades de cada setor. O relatório também trata a negociação como peça importante para adaptar a mudança à realidade de cada atividade.

Diagnóstico social semelhante

Governo e defensores das PECs associam a escala 6x1 ao aumento de adoecimento, acidentes, desgaste mental e perda de qualidade de vida. Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 14,3 milhões de trabalhadores celetistas — o equivalente a 33% do total — ainda trabalham com apenas um dia de folga por semana.

Onde estão as divergências

É nas divergências que o debate trava.

Mudança via lei ou Constituição?

O governo quer resolver o tema por lei. As PECs pretendem mudar a Constituição. Paulo Azi considera esse ponto sensível, porque uma regra constitucional tende a ser mais rígida.

40 horas ou 36 horas?

O governo propõe 40 horas semanais. A PEC 221 fala em 36 horas. A PEC 8 combina 36 horas com semana de quatro dias.

Mudança imediata ou transição gradual?

O projeto do governo entra em vigor na data da publicação. Já a PEC 221 prevê uma transição de 10 anos. O parecer defende que a discussão sobre prazos e escalonamento precisa ser aprofundada.

Rigidez ou flexibilidade?

O projeto do governo já detalha a regra e suas adaptações. O parecer de Azi demonstra cautela com fórmulas muito rígidas, sobretudo para setores que funcionam 24 horas por dia ou dependem de escalas especiais.

Quem paga a conta?

O projeto do governo não traz, no texto enviado, um modelo de compensação para empresas. Já o relatório dedica espaço amplo aos efeitos econômicos da mudança e às experiências internacionais de compensação fiscal.

O argumento econômico pesa no debate

O parecer de Paulo Azi deixa claro que a discussão não é apenas trabalhista. Ela também envolve emprego, preços, produtividade e custos para as empresas.

O relatório reúne estudos de entidades empresariais que projetam aumento de custos, pressão inflacionária, perda de competitividade e risco de demissões se a redução da jornada for implementada sem transição ou compensação. Por outro lado, também registra argumentos de centrais sindicais, integrantes do governo e parlamentares favoráveis à mudança, que veem na redução da jornada uma forma de diminuir burnout, acidentes, afastamentos e rotatividade, além de melhorar a produtividade e a qualidade de vida.

Em outras palavras, o parecer não fecha a conta. Ele apenas mostra que o Congresso ainda terá de decidir quem absorverá o custo da transição e como evitar efeitos negativos sobre o emprego e sobre as pequenas empresas.

O que vem pela frente

Se as duas frentes avançarem, o Congresso terá de responder a perguntas decisivas:

  • a nova jornada será de 40 horas ou 36 horas?;
  • o fim da 6x1 ficará em lei ou na Constituição?;
  • a mudança será imediata ou gradual?;
  • como ficarão os setores com jornadas especiais?;
  • haverá compensação para micro e pequenas empresas?;
  • a negociação coletiva será complementar ou central na aplicação da nova regra?

Hoje, a saída mais provável ainda parece ser uma fórmula intermediária: 40 horas semanais, dois dias de descanso e espaço para negociação coletiva. Essa é a solução já desenhada pelo governo e também o ponto de maior aproximação entre os atores que participaram do debate na Câmara.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

paulo azi Erika Hilton Câmara direitos trabalhistas jornada de trabalho CCJ Lula projeto de lei Escala 6x1 Reginaldo Lopes hugo motta PEC Fim da escala 6x1

Temas

direito trabalhista Congresso

LEIA MAIS

DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS

Governo prevê crescimento de 2,56% e inflação de 3,04% em 2027

CONGRESSO

Senado aprova indicação de Odair Cunha; nome segue ao TCU

FALTA DE ACORDO

Motta cita impacto em preços e defende relator da regulação dos apps

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES