Mesmo dizendo que ainda não decidiu se irá disputar a reeleição, o presidente Lula recebeu ontem de manhã, no Palácio do Planalto, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB). Acompanhado do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, Lula ofereceu novamente a candidatura a vice em sua chapa e reforçou que quer o apoio integral do partido caso seja reeleito. Após o encontro, Tarso almoçou com o presidente do Senado,
Renan Calheiros (AL), o senador José Sarney (AP) e o deputado
Jader Barbalho (PA), líderes da ala governista do PMDB.
"Nós queremos o PMDB com Lula, com ou sem coligação. Queremos o PMDB para governar o Brasil em conjunto, em cima de um programa definido, para assumir responsabilidades iguais e compartilhadas", afirmou o ministro.
Apesar de declarar que é difícil a formação de uma aliança nacional e formal com o PT, Quércia saiu do encontro com Lula dizendo que foi uma excelente conversa e que o PMDB deveria analisar a proposta. Defensor da tese da candidatura própria do partido, o ex-governador paulista reconheceu que a proposta de Lula é tentadora.
"Temos de levar em conta que o presidente é um candidato em condições de ser reeleito. Evidentemente que há interesse político do PMDB em avaliar essa questão com muita simpatia", disse.
Depois do encontro com Renan, Sarney e Barbalho, Genro disse não ter dúvida de que o PMDB marchará com o PT em outubro. "Primeiro, é necessário para a governabilidade do país uma aliança sólida, uma espécie de compromisso histórico do PT com o PMDB para formar uma frente de centro-esquerda para governar. Segundo, que essa frente teria que ser com base em programas. O terceiro ponto é sintetizada na seguinte frase: PMDB com Lula, com ou sem coligação", declarou.
Até defensores da candidatura própria acreditam que é possível o PMDB participar de um governo de coalizão no caso de Lula ter outro mandato. O próprio Pedro Simon considera que o partido poderia, depois das eleições, participar de uma aliança. "A participação do PMDB num governo de coalizão organizado pelo presidente Lula é viável", admitiu.
Amor e ódio
O encontro entre Lula e Quércia ontem em nada lembra a troca de insultos entre os dois ocorrida em 1994, quando ambos disputaram sem sucesso a Presidência. Em fevereiro daquele ano, Quércia disse que "o candidato da direita é Lula, com seu partido fascista". Lula devolveu a acusação, dizendo que Quércia usava "métodos semelhantes aos da Gestapo".
Quércia voltou ao ataque: "Lula pertence a um partido que durante o dia finge defender os trabalhadores e à noite bebe uísque com a burguesia". E criticou o petista: "Lula nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca". Este retrucou: "É verdade que nunca dirigi um carrinho de pipoca, mas também nunca roubei a pipoca".
Os dois se aproximaram em 98: "O Lula eu respeito e admiro", disse Quércia. Lula retribuiu em 2002: "Até agora não teve nenhuma acusação (contra Quércia) concretizada".