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EDUCAÇÃO
Congresso em Foco
19/11/2025 7:30
A comissão especial da Câmara que analisa o novo Plano Nacional de Educação (PNE) se reúne nesta quarta-feira (19) para votar o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O novo PNE (projeto de lei 2.614/24) substituirá o que está atualmente em vigor (2014-2024), que teve sua vigência prorrogada até o fim deste ano. O documento define as metas e obrigações da educação brasileira para os próximos dez anos. Ele é uma espécie de "Constituição da educação": orienta políticas públicas, investimentos e prioridades da União, estados e municípios.
O texto, que reúne 18 metas, da educação infantil à pós-graduação, já passou por revisões profundas e promete reorganizar políticas públicas em escolas, universidades e redes de ensino. Se aprovado, o plano muda desde a forma como o país alfabetiza crianças até como forma e valoriza professores, financia escolas, expande a educação integral e conecta todas as unidades à internet.
De acordo com a proposta, a implementação do novo plano vai custar R$ 280 bilhões em investimentos públicos para cumprir as metas listadas até 2035. Desse total, R$ 130 bilhões serão destinados a escolas de ensino fundamental e médio.
O relatório recebeu mais de 4 mil emendas, um volume recorde para uma iniciativa da área da educação. Para virar lei, o projeto precisa passar pela comissão especial antes de ser enviado diretamente ao Senado e sancionado pelo presidente Lula. O texto só será analisado pelo Plenário da Câmara se houver recurso assinado por 52 deputados. A comissão especial é presidida pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Veja o relatório de Moses Rodrigues.
Para corrigir o descompasso do calendário, o relator decidiu estender a vigência do novo PNE até 2035. Assim, mesmo sendo aprovado apenas no fim de 2024 ou início de 2025, o plano preserva seu ciclo completo de dez anos, conforme prevê a legislação.
O que é o PNE
O PNE é uma lei que organiza o que o país precisa fazer na educação durante uma década.
Ele obriga União, estados e municípios a:
Sem um PNE, cada governo poderia seguir seu próprio rumo - e políticas educacionais perderiam continuidade.
O que muda com o novo PNE
O novo plano reúne 18 metas, que abrangem toda a trajetória escolar, da creche à pós-graduação. Veja o que cada uma determina na prática:
1. Educação infantil
2. Alfabetização
3. Ensino fundamental
4. Ensino médio
5. EJA (jovens, adultos e idosos)
6. Educação especial e inclusiva
7. Educação bilíngue de surdos
8. Tempo integral
9 e 10. Formação, carreira e valorização docente
11. Infraestrutura escolar
12. Conectividade
13. Educação profissional
14. Ensino superior
15. Pós-graduação e pesquisa
16. Gestão democrática
17. Financiamento
18. Monitoramento e avaliação
Quanto vai custar o novo PNE?
O relator estimou um investimento total de R$ 280 bilhões para a década:
Para financiar o plano, a proposta fixa que o país deverá investir 7,5% do PIB em educação, acima dos cerca de 5% historicamente praticados.
O relatório também anexa um projeto de lei complementar direcionando parte dos recursos não utilizados da exploração do petróleo para financiar metas do PNE.
Por que o PNE recebeu mais de 4 mil emendas
O alto número de emendas reflete:
O relator diz que o texto final foi construído com diálogo com parlamentares de diferentes partidos e com entidades educacionais.
Entre os avanços incluídos após as emendas, estão:
Monitoramento mais rígido para evitar novo fracasso
Um dos principais problemas do PNE anterior foi a falta de mecanismos eficazes de cobrança.
Agora, o texto reforça o acompanhamento:
Estudo aponta fracasso do PNE: 61% das metas não foram cumpridas até 2024
Um levantamento da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados revela que o Brasil descumpriu a maior parte dos compromissos estabelecidos no Plano Nacional de Educação (PNE), que chega ao fim em dezembro deste ano. Segundo o estudo, 61% das metas mensuráveis não foram alcançadas, mostrando que o país encerra o ciclo 2014-2024 com um dos piores resultados desde a criação do plano.
O estudo foi solicitado pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC) e analisou 42 dos 56 indicadores usados para medir o cumprimento das metas. Os demais não tinham dados atualizados suficientes para avaliação.
Financiamento é o maior fracasso: gasto em educação ficou parado em 5,1% do PIB
Entre todos os indicadores analisados, o que trata do financiamento, considerado o coração de qualquer política educacional, apresentou desempenho mais crítico. O PNE previa que o Brasil deveria investir:
Nada disso aconteceu.
O gasto ficou estagnado em 5,1% do PIB, exatamente o mesmo patamar de uma década atrás.
Segundo os consultores da Câmara, trata-se de uma meta de "longa duração", o que permite avaliar com clareza o quanto o país se aproximou do objetivo. O resultado: desempenho considerado "muito baixo".
Metas estagnadas e retrocessos
Além dos indicadores que avançaram pouco, o estudo identificou metas que simplesmente não saíram do lugar e outras que regrediram em relação a ciclos anteriores.
Metas estagnadas
Esses indicadores não mostraram melhoria mensurável:
Metas que retrocederam
Em alguns casos, houve piora:
Esses retrocessos são considerados graves porque atingem etapas essenciais do desenvolvimento escolar.
Indicadores com execução inferior a 50%
Boa parte das metas avaliadas avançou menos da metade do necessário. Entre elas estão algumas das prioridades históricas da educação brasileira:
Para os consultores, o grande volume de metas abaixo de 50% demonstra que o PNE não conseguiu se transformar em política de Estado, permanecendo sujeito a descontinuidade administrativa, cortes orçamentários e falta de coordenação federativa.
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