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Segurança Pública

CSP inicia 2026 pronta para votar projetos contra roubo de celulares

Propostas aumentam penas e miram fraudes bancárias feitas após a subtração dos aparelhos.

Congresso em Foco

24/1/2026 17:00

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Mais de 917 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Além da perda do aparelho, vítimas vêm relatando golpes em cadeia, com invasão de contas e transferências bancárias. Diante desse cenário, a Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado inicia 2026 pronta para votar projetos que endurecem penas para o furto de celulares e crimes digitais ligados ao delito.

Mais de 917 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em 2024.

Mais de 917 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em 2024.Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Punição maior para furto e roubo de celular

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), presidente da CSP, é autor do projeto de lei 494/2025, que propõe qualificar o furto de celular e dobrar a punição para o crime.

A proposta insere a subtração do aparelho na categoria de furto qualificado, com pena de reclusão de quatro a oito anos, além de multa. Atualmente, o furto simples é punido com reclusão de um a quatro anos e multa.

Na justificativa, o senador afirmou que a tecnologia transformou os celulares em repositórios de informações sensíveis, como documentos, fotos e registros pessoais e profissionais. Com isso, argumentou que as consequências do crime vão além do prejuízo material e podem atingir a privacidade e a segurança das vítimas.

O relator da matéria, senador Marcio Bittar (PL-AC), concordou com a iniciativa e propôs emenda para aumentar também a pena do roubo de celular, ampliando a punição de um terço até a metade.

Furto seguido de fraude eletrônica

Outra proposta pronta para votação é o projeto de lei 2.588/2025, apresentado pelo senador licenciado Romário (PL-RJ). O projeto altera o Código Penal para endurecer os casos em que o furto do aparelho é seguido por fraude eletrônica, como transferências e operações bancárias feitas com dados da vítima.

Pelo texto, quando a fraude ocorrer após o furto, as penas dos dois crimes deverão ser somadas, e não apenas agravadas. Romário argumentou que existe um "vácuo normativo" quando o furto antecede o golpe digital, pois muitos tribunais tratam o caso como crime continuado, o que geralmente resulta em aumento de pena em um terço.

Para o senador, esse entendimento não reflete a gravidade do delito, e a aplicação do concurso material, quando as penas são aplicadas de forma autônoma e somadas, seria a forma mais proporcional de punir e inibir o crime.

O relator do projeto, senador Marcos Rogério (PL-RO), recomendou a aprovação e afirmou que organizações criminosas especializadas têm lucrado com fraudes digitais associadas a celulares furtados ou roubados. Segundo ele, a mudança pode fortalecer o combate a crimes patrimoniais digitais, reduzir a impunidade e ampliar a proteção de dados pessoais e do patrimônio das vítimas.

Cotas para mulheres

Além das propostas relacionadas a celulares, a CSP também tem outras propostas prontas para votação. Uma delas é o projeto de lei 1.722/2022, que reserva pelo menos 20% das vagas para mulheres em concursos públicos para carreiras do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que inclui órgãos como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis e militares, corpos de bombeiros militares, guardas municipais, agentes de trânsito e Polícia Legislativa.

A proposta é de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) e conta com o apoio da relatora da matéria, senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Drones

Outro tema na agenda é o projeto de lei 3.611/2021, que cria regras para o uso de drones por órgãos de segurança pública. O texto proíbe o acoplamento de armas e a automação total dos equipamentos, permitindo o uso em ações como apuração de infrações, repressão ao tráfico de drogas, perseguições e monitoramento de alvos.

O autor do projeto é o seneador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), e o relator da matéria é o senador Marcos do Val (Podemos-ES), favorável à aprovação.

Com uma pauta marcada por temas ligados ao combate ao crime e à modernização das forças de segurança, a Comissão de Segurança Pública deve concentrar os primeiros debates de 2026 em propostas que tentam responder tanto ao avanço das fraudes digitais quanto às demandas por mudanças estruturais no setor.

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