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Antes aliado, ativista critica atuação de Boulos em regulação dos apps

Ex-aliado em pautas de entregadores, Paulo Galo acusa ministro de apoiar proposta que, segundo ele, retira direitos históricos.

Congresso em Foco

31/1/2026 | Atualizado às 12:08

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O motofretista e ativista Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Paulo Galo, passou a criticar publicamente o ministro Guilherme Boulos em publicações nas redes sociais relacionadas ao projeto que trata da regulamentação do trabalho por aplicativos. As postagens marcam um distanciamento político entre o ativista e o ex-aliado, ambos historicamente ligados às pautas dos entregadores.

Em mensagens divulgadas nos últimos dias, Paulo Galo associa Boulos ao PLP 152, afirmando que a proposta representaria um retrocesso para os trabalhadores. Em uma das publicações, ele declara que o projeto seria "do Guilherme Boulos", independentemente da autoria formal, e acusa o ministro de apoiar um texto que, segundo ele, "rasga direitos históricos conquistados pelos trabalhadores em favor de sua carreira na política".

O ativista também critica a relação entre governo e trabalhadores no processo de construção da proposta. No post, afirma que "quando os trabalhadores se juntam ao governo, o governo ganha força para prejudicar a vida dos trabalhadores" e conclui com um apelo contra a proposta: "Diga não ao PLP 152".

Ativista Paulo Galo passa a criticar Boulos nas redes sociais.

Ativista Paulo Galo passa a criticar Boulos nas redes sociais.Reprodução/Instagram

Ruptura expõe divergências dentro do movimento dos entregadores

As críticas de Paulo Galo evidenciam divergências internas no campo que historicamente defendeu a organização dos trabalhadores de aplicativos. O ativista foi uma das principais vozes do movimento Entregadores Antifascistas, que ganhou projeção nacional durante a pandemia de covid-19, especialmente com a mobilização conhecida como Breque dos Apps, em julho de 2020.

Naquele período, lideranças do movimento dialogaram com diferentes atores políticos, incluindo parlamentares e representantes da esquerda, entre eles Guilherme Boulos. A atual crítica pública, no entanto, indica um rompimento em relação à condução do debate sobre a regulamentação do setor.

Quem é Paulo Galo

Paulo Galo nasceu em São Paulo, em 21 de março de 1989, e atua como motofretista, ativista social e artista de rap. Tornou-se conhecido nacional e internacionalmente por sua atuação na defesa dos direitos de trabalhadores de aplicativos, sendo apontado como uma das principais lideranças do chamado precariado brasileiro.

Além de sua atuação nos Entregadores Antifascistas, Galo integra o coletivo Revolução Periférica, grupo que ganhou notoriedade após o episódio do incêndio da estátua de Borba Gato, em 2021, ação que gerou ampla repercussão política e judicial.

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Projeto perde sustentação

As críticas de Paulo Galo se inserem em um contexto mais amplo de desgaste do projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos. A proposta chegou a ser vista, inicialmente, como uma iniciativa com condições políticas para avançar no Congresso ainda em 2025, sobretudo por buscar um modelo intermediário, voltado à ampliação de direitos sem descaracterizar o regime de intermediação.

No entanto, no final da tramitação e especialmente após a atuação direta do ministro Guilherme Boulos no debate, o texto passou por mudanças significativas. As alterações resultaram em um relatório considerado excessivamente complexo e com pontos classificados como retrocessos por diferentes segmentos do setor, incluindo trabalhadores, plataformas e restaurantes.

O acúmulo de regras e exigências fez com que o projeto perdesse sustentação política e técnica. O que deveria ser uma regulamentação simples, focada em garantir direitos básicos e segurança jurídica, passou a enfrentar resistência generalizada, sem conseguir formar consenso mínimo entre os atores envolvidos. O resultado foi o adiamento do calendário: a votação, que chegou a ser cogitada ainda para 2025, passou a ser projetada apenas para 2026.

O impasse reflete a dificuldade de manter o projeto "em pé". Ao tentar atender múltiplas pressões e incorporar agendas distintas, o texto acabou não satisfazendo nenhum dos lados e aprofundou divisões dentro do próprio campo dos trabalhadores por aplicativo, como demonstram as manifestações públicas recentes.

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