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Relator da reforma administrativa critica brecha para supersalários

Projetos aprovados pelo Congresso que beneficiam servidores do Legislativo contrariam princípios da reforma administrativa, diz Pedro Paulo.

Congresso em Foco

4/2/2026 8:39

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Relator da reforma administrativa, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) fez duras críticas aos projetos aprovados nessa terça-feira (3) pelo Congresso que reestruturam carreiras e reajustam a remuneração de servidores da Câmara e do Senado. Segundo ele, as propostas criam "penduricalhos" que abrem caminho para pagamentos acima do teto constitucional do funcionalismo, na contramão do discurso de responsabilidade fiscal e de combate a privilégios no serviço público.

Pedro Paulo registrou por escrito voto contrário ao projeto de lei 179/2026, aprovado de forma simbólica pela Câmara, que cria novas gratificações e institui a licença compensatória — mecanismo que pode gerar folgas e, em determinados casos, indenização em dinheiro classificada como verba indenizatória, fora do teto, da base previdenciária e do Imposto de Renda.

Para relator da reforma administrativa, projetos aprovados pelo Congresso vão na contramão de sua proposta.

Para relator da reforma administrativa, projetos aprovados pelo Congresso vão na contramão de sua proposta.Bruno Spada/Agência Câmara

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De metas a supersalários: veja o que muda com a reforma administrativa

"Não sou contra reajustes nem reestruturação de carreiras no serviço público — desde que existam recursos e responsabilidade fiscal", escreveu o deputado nas redes sociais. "O problema está em outra parte do projeto: a criação de penduricalhos, como a chamada licença compensatória, que abre caminho para remunerações acima do teto. É exatamente o oposto do que defendemos na reforma administrativa e do que a sociedade espera de nós."

Choque com o discurso da reforma

As críticas ganham peso político porque Pedro Paulo coordena o grupo de trabalho da reforma administrativa na Câmara, apresentada como uma tentativa de reorganizar o serviço público, conter distorções salariais e enfrentar o problema dos supersalários. O pacote desenhado pelo parlamentar envolve três frentes legislativas: uma proposta de emenda à Constituição (PEC), um projeto de lei e um projeto de lei complementar.

A PEC altera mais de 40 artigos da Constituição e estabelece novos princípios para a administração pública, com regras sobre remuneração, cargos em comissão, avaliação de desempenho e teto salarial. O projeto de lei cria o Marco Legal da Administração Pública, detalhando concursos, estágios probatórios, regimes de trabalho e critérios de progressão. Já o projeto de lei complementar institui a Lei de Responsabilidade por Resultados, que condiciona progressões e bônus ao cumprimento de metas e indicadores objetivos.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou a intenção de pautar a reforma, mas não indicou quando o tema será levado ao plenário. A expectativa, nos bastidores, é de que a votação não ocorra neste ano eleitoral por encontrar resistência entre servidores públicos.

Fim de penduricalhos no papel

Entre os principais eixos da reforma administrativa relatada por Pedro Paulo está justamente o combate aos supersalários e às verbas acessórias que permitem driblar o teto constitucional. O texto prevê, entre outros pontos:

  • limite de até 10% da remuneração para auxílios como alimentação, transporte e saúde para quem recebe acima de 90% do teto;
  • proibição de que verbas indenizatórias cresçam acima da inflação;
  • vedação a pagamentos retroativos sem decisão judicial;
  • proibição da conversão em dinheiro de férias e licenças não usufruídas;
  • fim de férias superiores a 30 dias e da licença-prêmio;
  • extinção de progressões automáticas por tempo de serviço sem avaliação de desempenho;
  • impedimento para que CNJ e CNMP criem benefícios sem previsão legal;
  • auditoria permanente das folhas de pagamento para identificar pagamentos irregulares.

É nesse ponto que o deputado vê uma contradição direta com os projetos aprovados no Legislativo. Para ele, ao criar licenças indenizáveis e ampliar gratificações, o Congresso envia um sinal oposto ao que tenta construir com a reforma administrativa.

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pedro paulo aumento dos gastos teto constitucional supersalários reforma administrativa penduricalhos Câmara Senado

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