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OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

PF prende cunhado de Vorcaro suspeito de operar esquema do Master

Fabiano Zettel é apontado pela PF como operador financeiro do grupo do Banco Master. Pastor e empresário, ele foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022.

Congresso em Foco

4/3/2026 | Atualizado às 10:15

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O pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e outras irregularidades na gestão da instituição.

Zettel se apresentou na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Segundo a PF, a nova fase da operação investiga a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos no âmbito da organização criminosa. Vorcaro também foi preso nesta manhã.

Fabiano Campos Zettel é pastor da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte.

Fabiano Campos Zettel é pastor da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte.Reprodução/Facebook

Quem é Fabiano Zettel

Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Fabiano Zettel é pastor evangélico, empresário e influente doador político. Ele ganhou projeção no meio empresarial com investimentos em redes de alimentação e academias de alto padrão, além de atuar na liderança da Igreja Batista da Lagoinha, sediada em Belo Horizonte.

Zettel também se destacou no financiamento de campanhas eleitorais. Ele foi o maior doador individual da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022, com cerca de R$ 3 milhões, e também contribuiu com R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.

Papel no esquema investigado

De acordo com a decisão do STF e os relatórios da Polícia Federal, Zettel teria atuado como operador financeiro do grupo liderado por Vorcaro.

Segundo os investigadores, ele integrava a estrutura operacional da organização criminosa, participando da intermediação e execução de pagamentos ligados às atividades do grupo.

Mensagens e documentos analisados pela PF indicam que Zettel:

  • ajudava a organizar fluxos financeiros ligados ao esquema;
  • participava da formalização de contratos e instrumentos usados para justificar transferências de dinheiro;
  • mantinha contato frequente com Vorcaro para tratar de pagamentos e operações financeiras.

Para a Polícia Federal, essas atividades indicam que ele auxiliava na estruturação e circulação de recursos utilizados nas práticas investigadas.

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Contrato suspeito com servidor do Banco Central

Um dos episódios citados na decisão envolve um contrato considerado fictício com um servidor do Banco Central.

Segundo a investigação, Zettel participou da elaboração e encaminhamento de uma proposta de contratação por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda.

O documento previa a contratação do servidor para participar de um suposto projeto sobre inserção de jovens no mercado financeiro.

Para a PF, o contrato teria sido utilizado para dar aparência legal a pagamentos feitos ao servidor, o que reforça a suspeita de corrupção e pagamento de vantagens indevidas.

Financiamento de grupo de vigilância e intimidação

A investigação também aponta que Zettel participava da operacionalização de pagamentos destinados a um grupo conhecido como "A Turma".

Segundo a decisão judicial, essa estrutura era responsável por:

  • monitorar pessoas consideradas adversárias do grupo
  • levantar informações sobre críticos do Banco Master
  • realizar ações de pressão e intimidação

Entre os alvos dessas ações estariam concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas que, segundo os investigadores, poderiam prejudicar os interesses do grupo.

Operação investiga esquema bilionário

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a emissão e negociação de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, o esquema pode envolver valores bilionários e teria sido facilitado por falhas de controle interno nas instituições envolvidas, permitindo práticas como:

  • gestão fraudulenta
  • lavagem de dinheiro
  • manipulação de mercado

Nesta fase da operação, além das prisões, o STF autorizou 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais e determinou bloqueio e sequestro de bens de até R$ 22 bilhões, para impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.

A defesa de Fabiano Zettel afirmou que não teve acesso aos autos da investigação, mas declarou que o empresário está à disposição das autoridades.

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Igreja Batista da Lagoinha operação compliance zero Daniel Vorcaro Fabiano Zettel Tarcísio de Freitas Banco Master André Mendonça STF Jair Bolsonaro

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