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REDUÇÃO DA JORNADA

Fim da escala 6x1: quais são os caminhos no Congresso

Projeto de lei e PECs disputam o protagonismo na tentativa de reduzir a jornada e pôr fim à escala 6x1. Entenda como cada proposta tramita, o que elas têm em comum e o que pode acontecer no Congresso.

Congresso em Foco

20/4/2026 8:00

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O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força no Congresso por afetar diretamente a rotina de milhões de brasileiros que trabalham seis dias por semana e folgam apenas um. Embora a pressão social tenha crescido e o tema conte com apoio declarado do governo e do presidente da Câmara, a tramitação está longe de ser simples. Hoje, a discussão avança por duas trilhas principais: a do projeto de lei e a das propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam da redução da jornada e da ampliação dos dias de descanso.

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Escala 6x1: veja as diferenças entre o projeto do governo e as PECs

Manifestantes pedem aprovação do fim da jornada 6x1.

Manifestantes pedem aprovação do fim da jornada 6x1.Tomaz Silva/Agência Brasil

Duas vias em disputa

Na frente mais visível estão as PECs que tramitam apensadas na Câmara: a PEC 8/2025, de Erika Hilton (Psol-SP), e a PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG). As duas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que analisa a admissibilidade das propostas. A comissão deve votar na próxima quarta-feira (22) o parecer do deputado Paulo Azi (União-BA), favorável à continuidade da tramitação.

Para o relator, "a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 constituem temas históricos e de grande relevância para a população". Se o parecer for aprovado, as PECs seguirão para uma comissão especial, onde o mérito será debatido.

A outra frente é a infraconstitucional, por meio de projetos de lei que alteram a CLT e normas correlatas. O principal deles é o texto enviado pelo governo à Câmara na semana passada, que propõe reduzir a jornada para 40 horas semanais, garantir dois dias de descanso e manter os salários. O governo pede que o texto seja analisado em regime de urgência: nesse caso, Câmara e Senado teriam, cada um, 45 dias para aprovar a proposição. Também tramita sobre o tema o projeto de lei 67/2025, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS).

Veja a íntegra do projeto de lei do governo.

Veja o relatório de Paulo Azi na CCJ.

O que as propostas têm em comum

Apesar da disputa política, há convergências importantes. A primeira é que o debate deixou de girar em torno da manutenção da lógica atual. A própria cúpula da Câmara passou a tratar a redução da 6x1 como pauta legítima. Hugo Motta afirmou que "o Brasil está maduro para enfrentar a escala 6x1" e que a proposta precisa ser discutida porque "o povo merece".

Outro ponto de encontro é a ideia de reduzir a jornada sem cortar salários. O governo defende 40 horas semanais com dois dias de folga, enquanto as PECs trabalham com jornadas de 36 horas em formatos distintos. Em comum, está o diagnóstico de que a escala atual contribui para desgaste físico e mental, adoecimento, acidentes e perda de tempo para estudo, lazer e convivência familiar.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, resumiu esse argumento ao dizer que a discussão envolve "saúde mental e física" e que um ambiente mais saudável "pode evitar acidentes, doenças psíquicas, diminuir o absenteísmo".

Há ainda um terceiro ponto de aproximação: mesmo entre os defensores de modelos mais ambiciosos, o debate no Congresso tem se concentrado numa transição da jornada de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas.

Onde as propostas se diferenciam

A principal diferença está no instrumento jurídico. Uma PEC altera a Constituição. Por isso, enfrenta um rito mais rígido: precisa passar pela CCJ, por uma comissão especial e, depois, pelo Plenário da Câmara em dois turnos, com apoio de 308 deputados em cada votação. Se aprovada, segue para o Senado, onde também precisa passar por dois turnos, com ao menos 49 votos favoráveis.

Já o projeto de lei tem tramitação menos dura e pode ser alterado com mais facilidade no futuro. Há ainda uma diferença política importante: no caso do projeto de lei, o presidente da República pode vetar trechos ou até a íntegra do texto aprovado. Isso não ocorre com uma emenda constitucional, promulgada diretamente pelo Congresso.

As propostas também divergem no tamanho da redução. O governo defende 40 horas semanais e escala 5x2. A PEC 221/2019 prevê 36 horas com transição de dez anos. Já a PEC 8/2025 fala em quatro dias de trabalho por semana e 36 horas semanais, embora o próprio relator tenha apontado necessidade de ajustes. Na prática, o Congresso discute desde uma mudança mais moderada até uma reconfiguração mais profunda da semana de trabalho.

Outra diferença central está no ritmo da transição. O governo sinaliza que 40 horas é o patamar possível no curto prazo. Marinho afirmou que, se o Congresso quiser ir direto para 36 horas, "tem que calcular melhor a transição" e que, na visão do Executivo, "não caberia implantar imediatamente as 36 horas". Já outras propostas preveem mudanças graduais ao longo dos anos.

Também não há consenso sobre quem arcará com os custos da mudança. Entidades empresariais alertam para aumento de despesas, maior impacto sobre micro e pequenas empresas e necessidade de ampliar o peso da negociação coletiva. No debate na Câmara, representantes do setor produtivo disseram que "empregar custa muito" e que regras rígidas podem atingir setores de forma desigual. Do outro lado, o governo sustenta que a redução da jornada pode elevar a produtividade. "A nossa aposta… é que a redução provoca aumento de produtividade", disse Marinho.

Como anda a tramitação

No caso das PECs, a fase atual é a da admissibilidade na CCJ. Se forem aprovadas, caberá ao presidente da Câmara criar uma comissão especial para discutir o mérito. É nessa etapa que costumam surgir as mudanças mais relevantes: regras de transição, exceções setoriais e ajustes de redação. Só depois disso a matéria vai ao Plenário.

O rito é naturalmente mais demorado. A comissão especial tem até 40 sessões do Plenário para apresentar parecer, e a PEC ainda precisa passar por dois turnos de votação na Câmara antes de seguir ao Senado. Por isso, mesmo quando há apoio político, esse caminho exige mais tempo e uma base mais sólida.

Na outra frente, o governo vem defendendo na Câmara um modelo baseado em 40 horas semanais e dois dias de folga, hoje espelhado no PL 67/2025 e em textos debatidos nas comissões. Em março, Luiz Marinho afirmou que essa era uma das prioridades do Congresso em 2026 e classificou o projeto de lei como "um caminho mais célere" do que as PECs.

Ao mesmo tempo, Hugo Motta deixou claro que não pretende atropelar a tramitação das propostas constitucionais. Em abril, afirmou que o objetivo era votar a admissibilidade das PECs e construir um calendário para o debate. Também insistiu na necessidade de ouvir todos os setores "de maneira equilibrada". Isso mostra que ainda não há decisão fechada sobre uma única rota.

O que pode acontecer

Hoje, o mais prudente é dizer que não há vencedor definido entre a via do projeto de lei e a da PEC. O projeto de lei tem a vantagem de uma tramitação, em tese, mais simples e flexível. A PEC, por sua vez, conta com o respaldo institucional de Hugo Motta e oferece proteção mais forte contra mudanças futuras, justamente por alterar a Constituição.

Há mais espaço político para uma solução intermediária do que para uma versão maximalista. Isso aponta para algo próximo de 40 horas semanais, dois dias de descanso, sem redução salarial e com margem para negociação coletiva e transição. Esse desenho hoje reúne mais convergências do que a adoção imediata de uma semana de quatro dias em formato rígido.

O Congresso parece mais próximo de discutir como enfraquecer a lógica da 6x1 do que de aprovar, de saída, o modelo mais ambicioso em debate. O impasse agora é definir por qual caminho, em quanto tempo e com qual grau de ambição essa mudança poderá sair do papel.

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Erika Hilton direitos trabalhistas Escala 6x1 Reginaldo Lopes Fim da escala 6x1 Luiz Marinho CCJ hugo motta paulo azi governo Senado Câmara

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