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Câmara aprova projeto para converter pontos e milhas em dinheiro

Medida também prevê regras contra bloqueio de contas, limitação de beneficiários e exigências consideradas abusivas.

Congresso em Foco

14/8/2026 11:06

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13) um projeto que regulamenta os programas de fidelidade e estabelece regras para a venda, a transferência e a conversão de pontos e milhas em dinheiro.

Pelo projeto de lei 3.083/26, empresas que administram programas de fidelidade só poderão restringir a venda de milhas pelos clientes se oferecerem uma alternativa oficial para a conversão dos pontos em dinheiro.

Quando essa possibilidade não existir, o programa não poderá impor limitações à venda ou à transferência dos pontos. O texto também impede, nesses casos, medidas como bloqueio de contas, limitação do número de beneficiários ou exigência de reconhecimento facial para resgate de produtos e passagens.

A proposta determina ainda que empresas que vendam, direta ou indiretamente, pontos ou milhas mediante pagamento em dinheiro deverão garantir ao consumidor a possibilidade de convertê-los novamente em dinheiro.

Novas regras atingem programas de fidelidade que permitem compra, venda ou transferência de pontos e milhas.

Novas regras atingem programas de fidelidade que permitem compra, venda ou transferência de pontos e milhas.Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Conversão por empresa independente

De acordo com o projeto, a operação de troca de pontos e milhas por dinheiro deverá ser realizada por uma empresa independente, com pelo menos sete anos de experiência e sem vínculo com companhias aéreas ou instituições bancárias.

Autor da proposta, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) afirma que a medida busca equilibrar a relação entre consumidores e empresas responsáveis pelos programas.

"Cria-se um monopólio econômico sobre a conversão de um ativo que o próprio consumidor adquiriu mediante pagamento: pode-se comprar, mas não se pode dispor livremente."

O projeto separa os programas de fidelidade em duas categorias. Os programas de benefícios são aqueles que não permitem a conversão dos pontos em dinheiro. Já os chamados programas transacionais oferecem essa possibilidade.

A classificação deverá considerar o funcionamento econômico efetivo do programa, e não apenas a denominação adotada pela empresa.

Restrições consideradas abusivas

O relator da proposta, deputado Paulo Soares (Podemos-SP), recomendou a aprovação do texto sem mudanças.

"As regras propostas conferem maior clareza às relações econômicas envolvendo programas de fidelidade, especialmente em relação à liquidez de pontos e milhas e à sua comercialização e transferência."

A proposta também classifica como abusivas práticas destinadas a impedir, restringir ou esvaziar o funcionamento do mercado secundário de pontos e milhas.

A regra alcança, entre outras medidas, exigências tecnológicas, contratuais, operacionais ou procedimentais consideradas desproporcionais.

Motta destaca votação

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu a regulamentação das milhas entre as pautas aprovadas pela Casa com impacto direto sobre os consumidores.

Em publicação nas redes sociais após as votações, Motta citou também a aprovação de medidas relacionadas ao acompanhamento dos estoques de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e ao fortalecimento do futebol feminino.

"Cada uma dessas pautas nasceu do diálogo entre governo, oposição e sociedade. É assim que a Câmara segue entregando resultado com equilíbrio e responsabilidade."

“Pautas que chegam direto na vida das pessoas.” Foi assim que Hugo Motta resumiu as votações da Câmara.

“Pautas que chegam direto na vida das pessoas.” Foi assim que Hugo Motta resumiu as votações da Câmara.Reprodução / Instagram

Próximos passos

Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para análise do Senado.

Para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pelos senadores e, posteriormente, sancionada pelo presidente da República.

Leia a íntegra do projeto.

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