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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

TSE começa a julgar vídeo de Bolsonaro e limite para deepfake

Tribunal analisa vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial e deve definir critérios para diferenciar conteúdo sintético permitido de deepfake proibido.

Congresso em Foco

1/9/2026 | Atualizado às 8:01

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a julgar nesta terça-feira (1º), a partir das 19h, uma ação que pode fixar as regras para o uso de deepfakes durante toda a campanha de 2026. O caso envolve um vídeo de Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial e exibido na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

Mais do que decidir se houve irregularidade no caso, o tribunal deve estabelecer critérios para diferenciar conteúdos sintéticos permitidos de deepfakes, proibidos pela Justiça Eleitoral. Deepfake é a manipulação de imagem, áudio ou vídeo de uma pessoa por inteligência artificial para fazê-la parecer dizer ou fazer algo que não aconteceu.

Flávio exibiu vídeo gerado por inteligência artificial em que seu pai, Jair Bolsonaro, pede votos para sua eleição presidencial.

Flávio exibiu vídeo gerado por inteligência artificial em que seu pai, Jair Bolsonaro, pede votos para sua eleição presidencial.Beto Barata/PL

A tendência é que o TSE mantenha a proibição quando a manipulação for convincente o suficiente para fazer o eleitor acreditar que está diante de um registro autêntico. Memes, caricaturas, animações e sátiras claramente artificiais tenderiam a receber tratamento diferente. A identificação de que houve uso de IA, porém, não bastaria para liberar um deepfake.

O caso

A ação foi apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. No vídeo, um avatar com imagem e voz semelhantes às de Bolsonaro afirma estar preso por uma decisão que considera injusta e declara apoio ao filho.

A federação sustenta que houve propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de IA. A defesa de Flávio afirma que o material estava identificado como artificial e não buscava enganar o público.

No caso concreto, parte dos ministros defende multa pelo grau de realismo do vídeo. Outra corrente entende que não cabe punição porque a peça foi exibida em uma convenção partidária.

Onde começa o deepfake

As regras eleitorais exigem identificação explícita de conteúdos produzidos ou manipulados por IA e proíbem deepfakes usados para favorecer ou prejudicar candidaturas. O impasse é definir a fronteira entre as duas situações.

O ministro André Mendonça propôs que deepfake seja a representação artificial de pessoa real em situação inexistente, com realismo suficiente para simular a realidade.

Pela tese, conteúdos claramente artificiais poderiam ser usados, desde que identificados. Já reproduções capazes de ser confundidas com registros verdadeiros continuariam proibidas.

A ministra Estela Aranha adotou posição mais rigorosa e afirmou que a configuração de deepfake independe da comprovação de que a manipulação tenha efetivamente enganado o eleitor. A decisão desta terça deve orientar a análise de outros conteúdos produzidos com inteligência artificial ao longo da campanha de 2026.

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justiça eleitoral TSE deepfake eleições 2026 inteligência artificial Jair Bolsonaro flavio bolsonaro

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