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FINANCIAMENTO ELEITORAL

Dinheiro público banca 93% dos R$ 3,38 bi já recebidos pelas campanhas

Dos R$ 3,38 bilhões declarados pelas candidaturas até 3 de setembro, cerca de R$ 3,14 bilhões vieram dos fundos Eleitoral e Partidário. Até quinta-feira, 45% dos candidatos ainda não haviam informado qualquer receita.

Congresso em Foco

4/9/2026 | Atualizado às 15:35

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A um mês do primeiro turno, as campanhas eleitorais de 2026 já somam R$ 3,38 bilhões em recursos declarados, mas quase metade das candidaturas ainda não informou o recebimento de dinheiro à Justiça Eleitoral. Das 20.860 registradas, 9.418, ou 45,2%, não declararam receitas. Outras 11.442, equivalentes a 54,9%, já registraram algum recurso. Os dados, atualizados na quinta-feira (3) são de levantamento da plataforma independente 72Horas, que monitora a distribuição de recursos entre as candidaturas com base nas informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A maior parte dos recursos declarados vem de dinheiro público. Dos R$ 3,38 bilhões, R$ 3,03 bilhões saíram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado Fundo Eleitoral, e R$ 108,9 milhões do Fundo Partidário. Juntos, os dois fundos respondem por R$ 3,14 bihões, ou 93% do total.

Fundo eleitoral prevê repasses de até R$ 4,9 bilhões para candidaturas em 2026.

Fundo eleitoral prevê repasses de até R$ 4,9 bilhões para candidaturas em 2026.Arte Congresso em Foco

Os outros R$ 237,1 milhões, cerca de 7%, são classificados pelo 72Horas como outros recursos. A categoria reúne doações diretas de pessoas físicas, financiamento coletivo e dinheiro dos próprios candidatos. O Fundão sozinho representa 89,7% de tudo o que foi declarado pelas campanhas.

Em números absolutos, a maior parte das candidaturas sem recursos está nas eleições legislativas. Entre os concorrentes a deputado estadual, 5.203 dos 11.251, ou 46%, não declararam receitas. Na disputa pela Câmara, são 2.975 dos 7.760 candidatos, 38%. No Senado, a proporção é de 34%; entre candidatos a governador, 33%. Na corrida presidencial, apenas duas das 13 candidaturas ainda não registraram recursos.

Câmara concentra 56% do dinheiro

As campanhas para deputado federal somam R$ 1,9 bilhão, ou 56% dos R$ 3,38 bilhões declarados. O valor supera o de todas as demais disputas somadas. Na sequência aparecem as candidaturas a deputado estadual, com R$ 749,4 milhões; governador, com R$ 338,4 milhões; senador, com R$ 302,6 milhões; presidente, com R$ 67,4 milhões; e deputado distrital, com R$ 16,9 milhões. Câmara e Senado, juntas, concentram R$ 2,2 bilhões, cerca de 65% do total.

No ranking pelo valor recebido declarado, Lula (PT) aparece em primeiro, com R$ 35,3 milhões, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 22,3 milhões. Na sequência aparecem candidatos aos governos estaduais. Douglas Ruas (PL-RJ) soma R$ 17,8 milhões; Tarcísio (Republicanos-SP), R$ 12,3 milhões; Fernando Haddad (PT-SP), R$ 12,1 milhões; Sergio Moro (PL-PR), R$ 11,6 milhões; e Zucco (PL-RS), também cerca de R$ 11,6 milhões.

Distrituição dos recursos já declarados por cargo.

Distrituição dos recursos já declarados por cargo.Arte Congresso em Foco

PL reúne mais de um quinto dos recursos

O PL lidera entre os partidos, com R$ 757,9 milhões, ou 22,5% de tudo o que as campanhas declararam ter recebido. O PT aparece em segundo, com R$ 399,8 milhões, seguido pelo PSD, com R$ 391,8 milhões; PP, com R$ 306,7 milhões; e União Brasil, com R$ 278,1 milhões. As cinco legendas concentram R$ 2,13 bilhões, ou 63% do total. Só PL, PT e PSD respondem por quase 46%.

Também varia entre os partidos a proporção de candidaturas que já declararam recursos. Ela chega a 81% no União Brasil, 80% no PCdoB, 78% no PL e 75% no PT. No MDB, cai para 39%; no PV, para 35%; e na Rede, para 25%.

Os números representam recursos recebidos e declarados, não despesas realizadas, e retratam a situação em 3 de setembro. Os valores ainda podem mudar com novos repasses e atualizações das prestações de contas. A votação será em 4 de outubro.

O nome da plataforma que compilou os dados, 72Horas, vem do prazo legal para que partidos e candidatos informem à Justiça Eleitoral os recursos recebidos durante a campanha. Cada receita deve ser registrada em até 72 horas após o recebimento, o que permite a divulgação pública praticamente em tempo real. A plataforma acompanha essas informações no sistema do TSE, organiza os dados e facilita a consulta sobre quanto cada campanha já declarou ter recebido.

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