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Clubes vão ao STF contra o fim das bets e pedem um ano de transição

Times pedem ao STF que preserve contratos em vigor e estabeleça transição antes da retirada das marcas de patrocinadores.

Congresso em Foco

2/10/2026 | Atualizado às 10:06

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Os times de futebol São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa pediram ao STF para participar da ação que questiona a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu os jogos de apostas no Brasil. Os clubes defendem a suspensão da norma e, caso o pedido não seja acolhido, a adoção de um período de transição para os contratos de patrocínio firmados antes da proibição.

A medida, publicada no último dia 25, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa. O texto determinou a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio em dez dias e estabeleceu prazo de 30 dias para a extinção das autorizações concedidas pela União.

Os cinco times pediram ingresso como amici curiae na ação apresentada pela Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas, relatada pelo ministro Luiz Fux.

Clubes de futebol alegam que contratos com as casas de apostas já faziam parte do orçamento dos próximos anos.

Clubes de futebol alegam que contratos com as casas de apostas já faziam parte do orçamento dos próximos anos. Adriana Toffetti/AtoPress/Folhapress

Os clubes afirmam que contratos celebrados enquanto as bets operavam legalmente passaram a correr risco de suspensão ou rescisão sem que a MP tenha estabelecido regras para o encerramento dessas relações. Segundo a manifestação, a mudança também afeta fornecedores, empresas licenciadas e outros contratos vinculados aos patrocínios.

"Os Clubes assinaram contratos com empresas que operavam de maneira autorizada e regular no Brasil, por períodos de um ou mais anos, com receitas e previsões orçamentárias absolutamente lastreadas em uma atividade regular à época. Não é justo que os Clubes arquem com os danos advindos de cenário de tamanha insegurança jurídica", diz a petição.

Impacto nos contratos

O São Paulo apresentou ao STF o contrato de patrocínio máster com a Superbet, que vai até 2030 e também abrange a denominação do centro de treinamento. O acordo prevê R$ 95 milhões fixos em 2026 e R$ 678 milhões durante toda a vigência. O clube informou ainda ter cerca de 15 mil camisas com a marca da empresa em estoque.

O Vitória informou que recebeu notificação de suspensão do contrato com a 7K, firmado até 2027. O clube estima perda de R$ 2,5 milhões por mês e de R$ 55 milhões até o fim do acordo.

Guarani, Ponte Preta e Portuguesa não mantêm atualmente patrocínio master de empresas do setor, mas sustentam que a proibição elimina uma fonte importante para a contratação de novos patrocinadores. Guarani e Portuguesa também apontam impactos sobre seus processos de recuperação judicial, enquanto a Ponte Preta cita obrigações assumidas em plano de pagamento trabalhista.

Os clubes afirmam que as receitas previstas nos contratos já haviam sido incorporadas aos orçamentos de 2026 e são utilizadas para despesas correntes. A petição cita pagamentos de salários, fornecedores, categorias de base, futebol feminino e manutenção da estrutura dos times.

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Transição

Os times defendem que eventual transição acompanhe o calendário esportivo e permita a execução dos contratos vigentes até 31 de dezembro de 2026. A proposta impediria novas contratações desde a publicação da MP, mas preservaria os acordos já assinados até o encerramento da temporada.

Os clubes afirmam que o prazo permitiria substituir marcas, uniformes e contratos comerciais de forma gradual, sem interromper acordos durante a temporada. A petição também prevê a manutenção das restrições publicitárias durante a transição e a proibição de novas campanhas, renovações e contratos com empresas do setor.

As organizações pediram que Fux analise a manifestação antes do dia 5, prazo definido pelo governo para a retirada dos sinais de patrocínio.

Leia a íntegra da petição dos clubes

Processo: ADI 8024

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