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ATOS GOLPISTAS

Moraes concede regime semiaberto a "Débora do Batom", condenada no 8/1

Cabeleireira seguirá em prisão domiciliar; ministro também reconheceu 212 dias de redução da pena por trabalho, leitura e aprovação no Enem.

Congresso em Foco

6/10/2026 11:19

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O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a progressão para o regime semiaberto de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como "Débora do Batom", condenada a 14 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Débora, no entanto, continuará em prisão domiciliar, onde está desde março de 2025. Moraes entendeu que a permanência em casa é uma condição mais benéfica do que o cumprimento convencional do semiaberto. A decisão foi assinada na sexta-feira (2) e divulgada nesta terça-feira (6).

"Em virtude da presença dos requisitos legais, defiro a progressão para o regime semiaberto à sentenciada Débora Rodrigues dos Santos, mantendo sua atual prisão domiciliar, por ser a forma de cumprimento de pena mais benéfica do que o regime semiaberto ora concedido", escreveu o ministro.

Debora participou dos atos de 8 de janeiro de 2023 e escreveu

Debora participou dos atos de 8 de janeiro de 2023 e escreveu "Perdeu, Mané" na Estátua da Justiça, em frente ao STF.Gabriela Biló/Folhapress

Na mesma decisão, Moraes reconheceu 212 dias de remição da pena. O abatimento corresponde a 108 dias por trabalho, quatro por participação em projeto de leitura e 100 pela aprovação no Enem para Pessoas Privadas de Liberdade de 2023.

Débora trabalhou 326 dias em unidades prisionais de São Paulo. Pela legislação, a cada três dias trabalhados, um é descontado da pena. Ela também teve quatro dias abatidos após participar do projeto "Lendo a Liberdade" e outros 100 dias pela aprovação no Enem PPL de 2023.

Remição da pena

Somados a dois dias de remição já reconhecidos anteriormente, os descontos chegaram a 214 dias. Com isso, Moraes considerou que Débora havia cumprido, até 1º de outubro, 4 anos, 1 mês e 16 dias de pena, alcançando o requisito objetivo de 25% necessário para a progressão.

O ministro também apontou a ausência de faltas disciplinares e de violações das condições impostas durante a prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente tanto à remição quanto à passagem para o semiaberto.

Moraes rejeitou, porém, o pedido da defesa para reconhecer novo abatimento pela aprovação no Enem de 2024. Segundo ele, conceder novamente o benefício pelo mesmo nível de escolaridade configuraria duplicidade.

Condenação a 14 anos

Ela ficou conhecida por escrever com batom vermelho a frase "perdeu, mané" na estátua "A Justiça", diante da sede do Supremo, durante os atos de 8 de janeiro de 2023. Presa preventivamente em março de 2023, Débora passou para prisão domiciliar dois anos depois, com monitoramento eletrônico e outras restrições. Agora, embora progrida formalmente para o regime semiaberto, continuará cumprindo a pena em casa.

A condenação de 14 anos, porém, não decorreu apenas da pichação da estátua. O STF considerou a participação de Débora no conjunto dos atos de 8 de janeiro e a condenou por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. O dano à estátua integrou a acusação, mas respondeu apenas por parte da pena total.

Processo: Execução penal 158

Leia a íntegra da decisão de Moraes

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Moraes pede apuração sobre falhas na tornozeleira de "Débora do Batom"

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