Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Caso Banco Master
Congresso em Foco
30/10/2026 10:55
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, provocou uma delegada da Polícia Federal ao questionar se haveria alguém na corporação com coragem para reconhecer sua versão sobre as operações investigadas entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). A declaração foi feita durante depoimento prestado em 15 de outubro de 2026, no qual o banqueiro negou ter cometido fraude e contestou a existência de prejuízo para o banco público.
"Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para poder entender isso?", perguntou Vorcaro, após afirmar que os ativos entregues ao BRB seriam suficientes para compensar os valores envolvidos nas negociações.
O questionamento ocorreu enquanto Vorcaro defendia a substituição de carteiras de crédito negociadas entre as duas instituições. Segundo ele, ao identificar problemas nas operações, providenciou a entrega de outros ativos, inclusive de seu patrimônio pessoal, para solucionar as pendências com o BRB.
"Eu peguei ativos do banco, substituí, peguei ativos próprios meus, substituí, em boa-fé com o BRB, e hoje tem mais ativos do que ele pagou. Essa é a realidade", afirmou.
Antes de questionar a delegada, o banqueiro também reclamou do período em que está privado de liberdade e perguntou se considerava justa a continuidade da investigação.
"Eu estou preso há um ano nisso. A senhora acha que isso é algo justo?", disse.
Vorcaro reconheceu que eventuais irregularidades cometidas por outras pessoas deveriam ser apuradas, mas insistiu que não participou de nenhuma fraude.
"Se alguém fez alguma coisa de errado dentro do meu banco, no BRB, na Tirreno, tem que ser apurado. Agora, o que eu sei é que eu não fiz nada", declarou.
Discussão sobre prejuízo bilionário
Durante o interrogatório, a delegada mencionou uma baixa contábil de R$ 2,2 bilhões relacionada às operações investigadas. Vorcaro rebateu a observação e questionou se a policial sabia o significado do procedimento.
"A senhora sabe o que é baixa? É um provisionamento contábil que o banco faz. Não quer dizer que não vale", argumentou.
A investigadora informou que a Polícia Federal já havia solicitado acesso aos documentos e aos resultados da auditoria sobre os ativos. Vorcaro, por sua vez, insistiu que uma avaliação pericial poderia demonstrar que os bens entregues ao BRB teriam valor suficiente para cobrir os recursos envolvidos.
A divergência está no centro da investigação sobre a negociação de carteiras de crédito entre as duas instituições. Enquanto o banqueiro sustenta que as pendências foram resolvidas com a substituição dos ativos, a PF apura possíveis irregularidades nas operações originais.
"A crise do BRB não foi causada por mim"
Em outro momento, Vorcaro contestou a associação entre as operações do Master e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo BRB.
"A crise do BRB não foi causada por mim", afirmou.
Segundo o banqueiro, a liquidação do Master e seus efeitos sobre a confiança do mercado contribuíram para agravar a situação do banco público do Distrito Federal. Ele rejeitou, no entanto, a responsabilidade direta pela crise.
"Eu não gerei crise de credibilidade no BRB", declarou, voltando a defender a realização de uma perícia sobre os ativos.
O depoimento foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29). A oitiva ocorreu antes do indiciamento de Vorcaro e outras 13 pessoas pela Polícia Federal, no âmbito da investigação sobre suspeitas de fraudes envolvendo Master e BRB.
A PF investiga a negociação de carteiras de crédito sem comprovação de existência e atribui ao banqueiro supostos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.
Vorcaro nega as acusações e sustenta que não houve fraude nem prejuízo ao BRB.
Temas
LEIA MAIS
Caso Banco Master
Caso Banco Master