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PF mira Cezinha de Madureira em operação sobre tráfico de influência

Investigação apura pagamentos que teriam sido condicionados ao resultado de processos judiciais em tribunais superiores.

14/9/2026
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O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) é alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14) para investigar suspeitas de tráfico de influência sobre decisões de tribunais superiores.

A terceira fase da Operação Transparência cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. As ordens foram expedidas pelo STF, em operação autorizada pelo ministro Flávio Dino.

Segundo a corporação, a nova etapa apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As investigações apontam que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em andamento, sob o argumento de que poderiam influenciar decisões judiciais.

A PF ressaltou, porém, que não há, até o momento, elementos que indiquem participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

Investigação apura possíveis crimes de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

Emendas parlamentares

A nova operação é um desdobramento de uma investigação aberta em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Na primeira fase da Operação Transparência, a PF realizou buscas em Brasília e passou a analisar documentos e equipamentos relacionados ao sistema de distribuição desses recursos.

Entre os alvos daquela etapa estava Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, então assessora da Câmara dos Deputados e ligada à gestão do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL). A análise do celular da servidora abriu novas frentes de investigação sobre a atuação de pessoas sem mandato na indicação de recursos do Orçamento.

Em julho, uma dessas frentes levou a PF a apontar suspeitas sobre a interferência do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) na destinação de emendas.

O ministro Flávio Dino determinou bloqueios de bens e outras medidas no âmbito dessas apurações.

Cezinha e as investigações recentes

Cezinha de Madureira já havia aparecido recentemente em outro episódio sob apuração da Polícia Federal. Em agosto, agentes apreenderam R$ 510 mil em espécie na bagagem de sua mulher, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando ela embarcaria para Brasília.

A defesa de Valéria afirmou que o dinheiro tinha origem lícita e era proveniente de sua atividade profissional como advogada.

O deputado também apareceu em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro relacionadas à articulação de um encontro entre o empresário e o ministro André Mendonça, do STF, realizado em março de 2025.

Não há, até o momento, informação oficial de que a apreensão do dinheiro com Valéria ou o encontro entre Vorcaro e Mendonça sejam o objeto específico dos mandados cumpridos nesta segunda-feira.

Nova frente chega aos tribunais

A terceira fase amplia o foco da investigação ao alcançar suspeitas relacionadas a processos em tribunais superiores. Até agora, a PF informou apenas que os investigados teriam negociado valores a pretexto de influenciar decisões judiciais.

A operação busca reunir provas para esclarecer se houve efetivamente pagamento de vantagens, quem participou das negociações e qual seria a origem e o destino dos recursos investigados.

Os quatro mandados desta segunda-feira foram expedidos pelo STF.

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