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Violência de gênero

O impacto da hipervigilância das cidades na realidade das brasileiras

A multiplicação de câmeras nas cidades ajuda a revelar crimes, mas ainda falha em impedir a violência cotidiana contra as mulheres.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

26/1/2026 15:00

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Ao ler o noticiário do domingo, deparei-me com a seguinte manchete no site da Folha de S.Paulo: "Aos 472, São Paulo tem mais câmeras que habitantes e gira em torno da hipervigilância". Uma das reportagens produzidas para o aniversário da capital paulista, comemorado em 25 de janeiro.

Imediatamente, veio-me à mente os prós e contras dessa realidade, que, aliás, veio para ficar — goste-se ou não. É o nosso "Admirável Mundo Novo", que pode nos levar a refletir se essa não seria a trilha rumo a um futuro sombrio, como o criado pelo romance de Aldous Huxley em 1932, ambientado em Londres no ano 2540.

Não há como negar, no entanto, como a tecnologia tem contribuído para expor crimes que, antes da instalação, por exemplo, de 3,8 milhões de câmeras de monitoramento do "Smart Sampa", passavam impunes por falta de provas ou conflitos de versões. O resultado é reforçado pelos números do "Prisômetro", inaugurado pela Prefeitura de São Paulo, que nesta semana registrava: a detenção de 2.600 foragidos, a localização de 146 desaparecidos e 3.600 prisões em flagrante.

Para as mulheres, essa hipervigilância tem sido fundamental para expor casos de violência doméstica e assédio que já ocorriam, só que longe das câmeras. Embora nem sempre aumente a sensação de segurança delas, como ficou claro na atual temporada do Big Brother Brasil 2026, onde o participante Pedro Henrique encurralou a colega Jordana na despensa da casa e tentou beijá-la à força no último dia 18.

Certamente, a ciência de que a cena ficaria registrada pelas câmeras e o fato seria relatado pela colega aos demais participantes foram levados em conta pelo agora ex-BBB antes de apertar o botão para formalizar sua decisão de deixar o programa. Agora, fora do BBB, Pedro Henrique encara os desdobramentos de uma denúncia de importunação sexual sob investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

A hipervigilância urbana tem sido decisiva para provas e investigações, mas não basta para conter feminicídios e assédios.

A hipervigilância urbana tem sido decisiva para provas e investigações, mas não basta para conter feminicídios e assédios.Freepik

No Paraná, as imagens gravadas pela irmã da ré acabaram sendo decisivas para que o Tribunal de Justiça do estado absolvesse Tais Matias Teixeira, de 27 anos, diante da constatação de que ela se defendia de agressões do ex-namorado Lucas Vinicius Lourenço Vieira, quando o esfaqueou. O histórico de violência doméstica do rapaz, que acabou falecendo, também foi levado em conta durante o julgamento.

Quantas imagens têm nos chocado como sociedade a cada semana, exibindo a pior face do ser humano, com as mulheres como principais vítimas?

Sem essas câmeras, muitas vezes indiscretas, possivelmente não teríamos identificado uma boa parte dos autores de crimes bárbaros e cruéis que levaram o Brasil a registrar um novo recorde de feminicídios em 2025: 1.470 casos confirmados. Pelo menos 15 estados da federação registraram aumento nesses crimes, pelos quais quatro mulheres são assassinadas por dia.

Já os registros de importunações sexuais no país, como o sofrido por Jordana no BBB 2026, acontecem, em média, a cada 14 minutos no Brasil, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Algo realmente assustador, que me leva, ao final deste artigo, a questionar se esse número de câmeras na capital paulista, que hoje supera o de habitantes da cidade mais populosa do país, algum dia será suficiente para coibir tantos crimes que, infelizmente, têm as mulheres como vítimas preferenciais?


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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