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A impunidade começa a ruir, mas o machismo ainda insiste em sobreviver na política, no esporte e na vida cotidiana.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

9/3/2026 11:00

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Definitivamente não é fácil ser mulher nos dias de hoje. Na verdade, nunca foi. Se a realidade atual nos choca, apesar de todos os avanços garantidos a partir de 1932, quando conquistamos o direito de votar, ou seja, de ter voz ativa na sociedade, imaginem como era nossa vida antes disso. Uma época em que éramos tuteladas 100% por homens.

Se antes a violência contra mulheres era naturalizada e varrida para debaixo do tapete de uma cultura patriarcal assumida e orgulhosa, hoje ela ganha as manchetes do noticiário, mostrando que as vítimas têm nome, rosto e uma legião cada vez maior de pessoas dispostas a ajudá-las a ter o direito de existir, ter opinião própria e respeito às suas decisões.

É preciso enxergar que a antiga certeza de impunidade de nossos algozes, que reinava plena, começa a ruir. Ao contrário do que acontecia até bem pouco tempo atrás, quando um assassino confesso de uma mulher ousava justificar o ato como forma de lavar a própria honra, agora uma denúncia de assédio sexual feita por uma jovem de 18 anos, reforçada pelo relato de outra vítima, é capaz de selar de forma praticamente irreversível a carreira de um magistrado, como ocorreu com o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, hoje afastado do cargo por decisão unânime dos colegas da Corte.

Mas, sim, ainda somos obrigadas a assistir a anúncios como o feito pelo presidente do MDB do Rio de Janeiro, Washington Reis, comemorando a filiação do ator Dado Dolabella — mais famoso pelas condenações de violência contra mulheres do que pelo desempenho profissional — como futuro candidato da legenda à Câmara dos Deputados para defender o "equilíbrio" da família. Não sem protestos e indignação, como a manifestada pela secretária Nacional do MDB Mulher, Kátia Lobo, repudiando a vergonhosa aquisição do partido.

Denúncias ganham força, agressores começam a pagar o preço e mulheres seguem transformando dor em mobilização.

Denúncias ganham força, agressores começam a pagar o preço e mulheres seguem transformando dor em mobilização.Freepik

Embora desrespeitar uma mulher ainda siga sendo fácil, como era no passado, certamente sai muito mais caro do que antes.

Exemplo disso é o que aconteceu com o zagueiro do Bragantino, Gustavo Marques, ao tentar justificar uma recente derrota do próprio time à designação de uma mulher para apitar o jogo, no caso a árbitra Daiane Muniz. A exposição, sem qualquer pudor, de todo seu machismo, pesou no bolso e na reputação do jogador: o próprio clube lhe impôs multa de 50% do salário, e o Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo o puniu com uma suspensão de 12 jogos e mais uma multa de R$ 30 mil.

Entre ver o copo d'água meio cheio ou meio vazio, prefiro ficar com a primeira opção, cada vez que me sento à frente do computador para escrever essa coluna semanal. Denunciar a violência da qual somos vítimas e tirar do anonimato os nossos algozes tem sido primordial para manter a mobilização da sociedade em favor de nossas causas e também um convite à reação de mulheres ou mesmo meninas que ainda temem soltar a voz.

Foi o caso de uma adolescente no Rio de Janeiro, que demorou três anos para admitir que havia sido vítima de um estupro coletivo, por medo e vergonha. Ela só tomou coragem de contar para a mãe as atrocidades que havia sofrido após tomar conhecimento, pela mídia, de um caso semelhante ao ocorrido no dia 31 de janeiro, em Copacabana, envolvendo pelo menos dois dos cinco jovens, agora presos, pelo mesmo crime contra outra menina, de 14 anos.

Uma voz incentiva a outra. Uma mão puxa a outra. Não é fácil e o caminho pela frente ainda é longo. Mas definitivamente é também um percurso sem volta. Por isso, seguirei celebrando o 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Honrando nossas ancestrais e as futuras gerações, seguirei sendo resistência, sem perder a alegria, a suavidade e a esperança em dias melhores.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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