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Lydia Medeiros
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Eleições 2026
19/6/2026 11:00
A decisão da 1ª Turma do STF foi unânime: Eduardo Bolsonaro atuou nos Estados Unidos para coagir a Justiça brasileira e articulou sanções contra ministros da Corte. Foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação durante o processo. É mais um problema para a campanha presidencial do irmão Flávio. Agora, além de ter de explicar suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o candidato precisará convencer o eleitor de que, se chegar ao Planalto, terá atitudes diferentes daquelas que levaram pai e irmão à condenação judicial.
Flávio está em queda nas pesquisas desde a revelação das conversas com Vorcaro, em que cobra recursos para o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro. É alvo de cobranças de aliados e, até agora, não fechou alianças nem anunciou quem ocupará a vaga de vice. Está isolado.
Flávio sustenta que pai e irmão são vítimas da Justiça. Foi com esse discurso que Eduardo abandonou o mandato parlamentar e mudou-se para os EUA no ano passado. Usando um tom de vingança, ele comemorou quando Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre exportações brasileiras vinculando-as ao fim do processo contra Jair Bolsonaro. "Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem. O Brasil não pode — e não vai — se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil", escreveu o então deputado nas redes sociais.
O tarifaço apoiado por Eduardo Bolsonaro e outros, porém, deu a Lula um discurso — os "traidores da Pátria" tirariam empregos e levariam a inflação para o lar dos brasileiros. A popularidade presidencial subiu, e Lula engatou na campanha em tom nacionalista. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro avançou rapidamente nas pesquisas eleitorais, chegando a empatar com o presidente. As conversas com Vorcaro frearam sua ascensão e alertaram possíveis aliados.
Futuros adversários que vinham sendo tão cordiais ao ponto de parecer apenas auxiliares, Romeu Zema e Ronaldo Caiado mudaram de rumo. Cobraram explicações de Flávio, inaugurando a guerra no campo da direita. Afinal, como vêm mostrando todas as pesquisas, uma das vagas do segundo turno parece reservada ao candidato da esquerda, Lula. A briga entre os demais candidatos é pela outra vaga. O embate direto com Lula fica para depois.
A condenação de Eduardo Bolsonaro chamou a atenção de Trump, durante o encontro do G7, na França. O americano, no entanto, confundiu os filhos de Jair, achando que o alvo da Justiça fora Flávio. "Acabei de me despedir dele [de Lula] e ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Ou prenderam, ou querem prendê-lo", disse mal-informado Trump, que ainda classificou o Brasil como um país "perigoso politicamente".
A solidariedade do presidente americano a outro Bolsonaro condenado pode ser um novo presente para Lula. Se Trump decidir endurecer nas negociações comerciais por razões políticas, o petista poderá retomar o enredo da traição à Pátria. Isso pode representar um desafio adicional para Flávio Bolsonaro: vai precisar convencer o decisivo grupo de eleitores de centro, que se dizem independentes, de que não tem nada a ver com os eventuais prejuízos ao país. Como aconteceu no ano passado, pode até tentar, mas vai ser difícil.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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