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Valdemar completa duas décadas na mira da Justiça

Investigação da PF e decisão de Flávio Dino recolocam Valdemar Costa Neto no centro de um novo escândalo, agora por suposto controle informal de emendas parlamentares.

Lydia Medeiros

Lydia Medeiros

13/7/2026 13:00

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Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, está mais uma vez na mira da Justiça. O ministro do STF Flávio Dino afirma haver indícios de que, sem mandato, ele controlava verbas públicas de emendas parlamentares ao Orçamento da União. A Polícia Federal identificou 21 emendas sob suspeita, destinadas a 18 municípios de São Paulo, Paraná, Bahia e Rio de Janeiro. Dino suspendeu a execução das emendas, que somaram R$ 119 milhões, e mandou bloquear bens de Valdemar no mesmo valor.

A PF chegou a Valdemar em investigações sobre o "orçamento secreto" por meio de diálogos encontrados celular de Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Conhecida como Tuca, ela foi apontada pela polícia como a operadora do esquema com as verbas públicas.

Valdemar tem sido personagem recorrente em episódios de corrupção na política nos últimos vinte anos. Começou a carreira com o pai, Valdemar Costa Filho, três vezes prefeito de Mogi das Cruzes e secretário de Abastecimento de Paulo Maluf na prefeitura de São Paulo nos anos 80.

Maluf apadrinhou o então jovem Valdemar Neto na política. Em 1990, elegeu-se ao primeiro mandato na Câmara dos Deputados. No final daquela década, o deputado Valdemar foi personagem de destaque em corrupção durante a construção da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo. O caso ficou conhecido como o escândalo do "Lalau", por causa do então juiz do Trabalho Nicolau dos Santos Neto.

O Ministério Público acusou o deputado de participação no desvio de recursos federais. Ele foi condenado em primeira instância por corrupção passiva, mas a sentença acabou revista pelo Tribunal Regional Federal por questões técnicas e não houve condenação definitiva.

Em 2000, Valdemar assumiu o comando do Partido Liberal e, dois anos depois, se tornou peça-chave na montagem das alianças da campanha presidencial de Lula. Filiou ao PL o então senador e empresário José de Alencar, que foi vice de Lula nos dois primeiros mandatos.

Logo, surgiu o Mensalão, com a denúncia de Roberto Jefferson, então presidente do PTB, sobre compra de votos pelo governo para garantir maioria em votações no Congresso. Valdemar confessou ter recebido R$ 6,5 milhões, não declarados à Justiça eleitoral. Argumentou que o dinheiro seria destinado a pagar supostas dívidas da campanha presidencial de Lula.

Da condenação no Mensalão às suspeitas sobre emendas parlamentares, o presidente do PL volta ao foco da Justiça após decisão de Flávio Dino e investigação da Polícia Federal.

Da condenação no Mensalão às suspeitas sobre emendas parlamentares, o presidente do PL volta ao foco da Justiça após decisão de Flávio Dino e investigação da Polícia Federal.Danilo Verpa/Folhapress

O escândalo levou Valdemar a renunciar ao mandato em 2005, mas o Conselho de Ética da Câmara manteve seus direitos políticos. Foi reeleito em 2006 e em 2010. Acabou condenado no julgamento do Mensalão em 2013 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Recebeu do Supremo Tribunal Federal uma sentença de sete anos e dez meses de prisão. Passou 11 meses na cadeia, em regime semi-aberto, e migrou para prisão domiciliar. Em 2016 foi indultado pelo STF.

Ainda estava em liberdade condicional quando um empreiteiro, durante as investigações da Lava-Jato, o apontou como destinatário de doações ilegais de campanha. Em 2024, Valdemar voltou à prisão, dessa vez por posse ilegal de arma de fogo encontrada pela Polícia Federal durante investigações sobre a tentativa frustrada de golpe de Estado no 8 de janeiro de 2023.

Valdemar transitou do apoio a Lula para a adesão incondicional a Bolsonaro com o pragmatismo que caracteriza o Centrão. Durante os governos petistas, o PL fez do Ministério dos Transportes seu feudo — todos os indicados pelo partido para comandar a pasta estiveram envolvidos na Lava-Jato.

Em 2018, com Jair Bolsonaro despontando como vencedor, Valdemar foi deixando o PT para trás. Com Ciro Nogueira e Arthur Lira, chefes do Progressistas, apostou na aliança com Bolsonaro que precisava de apoio legislativo para governar e de uma legenda para disputar a reeleição. Em 2001, o então presidente se mudou para o PL com parte da família e uma bancada de parlamentares de extrema-direita.

Desde a chegada de Bolsonaro, o PL só cresceu. É o maior partido no Congresso, com 98 deputados e 15 senadores. Tem quase um milhão de filiados. Na presidência, Valdemar administra um orçamento anual de R$ 211 milhões, além de R$ 881,6 milhões para financiamento de candidatos, a maior fatia de recursos do fundo eleitoral que neste ano partilha R$ 4,96 bilhões entre os partidos políticos.

A aliança com Bolsonaro tornou o PL a máquina partidária mais rentável do Congresso. Antes chefe de um partido médio, sem perspectiva de poder, Valdemar passou a presidir o maior condomínio político com direito a voto no Congresso.

No inquérito do STF, aparece como um informal "ordenador" de despesas no Orçamento da União, sem ter mandato ou cargo que o autorize a fazer isso. Ele nega as acusações, mas a decisão do ministro Dino o apresenta como um tipo de parlamentar secreto na operação de um orçamento cheio de segredos parlamentares.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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