Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Eleições 2026
17/8/2026 15:00
Lula voltou na manhã de domingo ao estádio da Vila Euclides, onde, em 1979, nasceu como líder sindical. Como faz há 47 anos, pediu um voto de confiança.
O novo desafio de Lula, depois de três mandatos e dos governos de Dilma Rousseff, é apresentar uma utopia ao eleitor. Há uma geração que não conhece a política sem a presença dele, mas os seus altos índices de rejeição mostram a dificuldade de seguir empolgando multidões. Bandeiras que marcaram a história do PT, como a da ética, já não se encaixam nas mãos do partido. Os acertos, como o Bolsa Família, foram incorporados à paisagem política e não servem mais para mobilizar o eleitor.
Para subir a rampa do Planalto pela quarta vez, fato inédito na história nacional, Lula também não pode mais demonizar os "300 picaretas" do Congresso. Eles foram a base de todos os seus governos, ocupando ministérios e cargos em estatais. Os partidos do Centrão não são aliados oficiais nesta disputa, mas tampouco se uniram ao principal adversário do petista, Flávio Bolsonaro.
Em 2022, Lula encarnou o centro político. Conseguiu isolar Jair Bolsonaro, agregando apoios de ex-adversários, como o PSDB de Fernando Henrique Cardoso. A elite econômica que em 1979 torcia o nariz para o metalúrgico declarou voto no PT; "fez o L", como se disse à época.
No Planalto, porém, decepcionou quem esperava um governo de coalizão. Ao apresentar, antes mesmo da posse, a "PEC da transição", um cheque de quase R$ 200 bilhões para o novo governo arrumar a casa deixada por Bolsonaro, fez a opção preferencial pelo Centrão, representado pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira. E aumentou o gasto público, afastando quem esperava uma repetição da política econômica do primeiro mandato, marcada por um duro ajuste fiscal.
Nos últimos dias, Lula renovou os votos com o Centrão ao acertar-se com os presidentes Davi Alcolumbre, do Senado, e Hugo Motta, da Câmara, sob as bênçãos dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Além de apoio à reeleição dos comandantes do Congresso em troca de governabilidade num eventual novo governo, o pacto vai além. Representa também uma tentativa de blindagem ao STF às ameaças de impeachment de ministros, promessa de campanha da oposição.
Jair Bolsonaro terceirizou a administração política de seu governo ao Centrão. Ali manteve-se a distribuição de ministérios e de cargos do primeiro ao terceiro escalão do governo, e floresceram as emendas parlamentares bilionárias, com um salto no volume de verbas. Por isso, Flávio Bolsonaro deveria estar cercado dos antigos companheiros do pai. Mas Flávio não é Jair.
Há um déficit de confiança no filho, expressa na dificuldade em conseguir alianças e até um vice de outro partido. Já com Lula a relação do Centrão é antiga, jogam juntos há tempos. É uma campanha sem surpresas, com os candidatos prisioneiros das próprias taxas de rejeição eleitoral.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
Temas