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Lydia Medeiros
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Diplomacia
28/9/2026 17:11
Há preocupação em Washington sobre como o governo Donald Trump vai se comportar diante do resultado das eleições brasileiras, que começam no próximo domingo. As dúvidas foram expressas na carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, assinada por 31 parlamentares democratas. Eles veem um "esforço coordenado" do governo para ameaçar a "aliança estratégica" com o Brasil e "desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental". E questionam o se os EUA vão respeitar o processo eleitoral brasileiro, que consideram "um dos mais seguros e confiáveis do mundo". "O governo se comprometerá a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil e a manter relações diplomáticas padrão com qualquer candidato que seja legitimamente escolhido pelo eleitorado brasileiro?", escrevem.
Os democratas, entre eles o senador independente Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, pedem explicações e justificativas sobre diversas medidas tomadas pelo governo Trump em relação ao Brasil, como a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, e o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter sido enquadrado na Lei Magnitsky.
A carta foi publicada três dias depois de um encontro entre Lula e Sanders, em Nova York. Às vésperas da eleição, o movimento democrata reforça o discurso de soberania nacional usado por Lula para contestar a proximidade de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, com a Casa Branca. Dias atrás, o jornal O Estado de S. Paulo publicou documento com uma lista de reivindicações do governo americano em torno das negociações sobre as tarifas comerciais. Destaca-se o item em que os EUA pedem o compromisso do Brasil de realizar "eleições livres e justas" e que "não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral". Não se conhecem "dissidentes políticos" no Brasil. A oposição tem ao menos quatro candidatos na disputa pela presidência, entre eles um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos últimos anos, as eleições brasileiras têm sido acompanhadas de perto por Washington. Neste ano, os sinais de interferência na disputa são claros. Há quatro anos, as ameaças de Bolsonaro à democracia e o receio de tumultos insuflados pelo próprio presidente alertavam governos e parlamentos na Europa e nas Américas. Nos Estados Unidos havia preocupação real do governo, Congresso, investidores e setores da sociedade com o rumo de um processo eleitoral contaminado pela violência política. Durante a campanha eleitoral de 2022, o governo Joe Biden enviou várias delegações diplomáticas e militares ao Brasil para tentar demover o governo Bolsonaro do seu projeto de desestabilização política.
Os temores foram confirmados em 8 de janeiro de 2023, quando houve a invasão do Congresso, do Planalto e do STF, num episódio similar à invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando manifestantes tentaram impedir a declaração de vitória de Joe Biden. Lá e aqui, a tentativa de golpe foi frustrada por militares legalistas.
À época, a desconfiança sobre as Forças Armadas brasileiras, porém, mobilizou a bancada do Partido Democrata. Seis deputados tentaram aprovar uma emenda à lei orçamentária americana para 2023 que previa a apresentação de um relatório do Departamento de Estado específico sobre o papel dos militares nas eleições do Brasil. Pedia esclarecimentos, entre outros pontos, sobre sua participação em campanhas para minar a credibilidade do sistema eleitoral. Estabelecia sanções, como a revogação do status do Brasil de "aliado extra-Otan", concedido pela administração Trump ao governo Bolsonaro. A emenda foi rejeitada, mas o movimento parlamentar já indicava que a estabilidade da democracia brasileira se tornava item da agenda política americana.
De meados de 2021 até as eleições, houve um fluxo incomum de emissários da Casa Branca a Brasília, Rio e São Paulo com recados claros de defesa de eleições livres, de que um golpe não teria apoio e o Brasil ficaria isolado no mundo e sujeito a sanções.
Quando o Tribunal Superior Eleitoral anunciou a vitória de Lula, em 30 de outubro de 2022, Biden levou apenas 40 minutos para cumprimentar o presidente eleito, ressaltando que o Brasil tivera "eleições livres, justas e críveis". Agora, parte das sociedades americana e brasileira duvida que Trump seguirá o mesmo roteiro.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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