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20/10/2021 8:19

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Sede do Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: Nelson Jr./STF

Sede do Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: Nelson Jr./STF
Você sairia à rua para defender o STF? Há algum ministro do Supremo que você tem como exemplo positivo? Você conhece alguma liderança no Congresso que faça você se sentir bem representado? Você admira algum político ou autoridade? Provavelmente a maioria das respostas para estas perguntas é “não”. Roger Eatwell e Matthew Goodwin, com seu bom livro Nacional-Populismo: a revolta contra a democracia liberal (Record, 2020, 349 páginas), ensinam-nos a partir de perguntas como estas para questionar por que as democracias estão sendo atacadas por políticos autoritários, em geral postados no comando do Poder Executivo. Eatwell e Goodwin estão do lado da democracia, dos direitos democráticos, da participação popular. Não apoiam figuras como Trump, Orbán e Bolsonaro. Contudo, seu livro serve como um necessário abrir de olhos para quem acha que essa tempestade de ódio, irracionalidade e instabilidade vai passar rapidamente. É um alerta para aqueles que acreditam que foi um acaso da história que políticos dizendo-se fora do sistema, em luta contra tudo e contra todos, venceram eleições e conquistaram o poder. Eatwell e Goodwin não se perdem em acusar os autoritários. Ao contrário, dedicam-se a apontar claramente as origens do problema, as quais radicam em nossas falhas democracias. Os autores nos fazem compreender, por meio de argumentos muito persuasivos e dados demográficos, socioeconômicos e políticos, que a ascensão da direita nacionalista e autoritária se deveu aos muitos problemas da democracia que vivemos hoje. O cidadão olha para sua vida e procura alternativas para melhorá-la, se o sistema não o ajuda, todas as mudanças são consideradas, inclusive as autoritárias. A desigualdade de renda e patrimônio vem crescendo em praticamente todos os países. Organizações políticas são vistas como burocráticas e inacessíveis, como a União Europeia. Políticos e autoridades cada vez mais constituem uma classe que se diferencia do cidadão comum por serem mais ricas e mais educadas, e afastam-se das preocupações e necessidades do trabalhador de renda baixa e ensino mediano. Os partidos, e isso é muito importante principalmente para a Europa onde eles já foram muito fortes, cada vez têm menos apelo, identidade e atração sobre os cidadãos, que deixaram de segui-los lealmente. Diante dos inúmeros problemas das sociedades atuais ­─ e às amargas expectativas de melhoria de vida não cumpridas ─ o nacional-populismo apela ao povo profundo, à “maioria silenciosa”,  ao “exército do povo”, à “França esquecida” para comunicar-se com a massa de cidadãos que não se sentem contemplados pelo sistema. Como dizem os autores, há os racistas e xenófobos neste grupo de descontentes, mas boa parte dos eleitores, daqueles que elegeram Trump, Orban e outros, assim como Bolsonaro, têm anseios de mais voz, de mais participação, de mais relevância. Em outras palavras, eles querem mais democracia, mas uma democracia diferente da que temos. Eatwell e Goodwin nos passam também a mensagem de que o nacional-populismo parece não estar resolvendo o problema, mas o sistema que eles atacam está fraco e desprotegido devido às suas diversas disfunções. Assim, não basta defender a democracia do ataque autoritário da extrema direita, é preciso também agir pela reforma, ou mais acertadamente pelo renascimento, das sociedades democráticas no século 21. Um ser adoecido sempre é presa de doenças. É preciso mais participação, mais igualdade, menos burocracia e fim dos políticos profissionais afastados do povo. A crer nos autores, a batalha será longa, missão para uma geração ou mais. Compreender os problemas, contudo, é o primeiro passo. Mais artigos do mesmo colunista
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