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Paulo José Cunha

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26/10/2020 | Atualizado 10/10/2021 às 16:57

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[fotografo]Imagem reprodução/Facebook[/fotografo]

[fotografo]Imagem reprodução/Facebook[/fotografo]

“O povo brasileiro é o povo mais covarde, imbecil e subserviente do universo”

(no final eu conto quem é o autor)

Dizem que o ex-governador Amazonino Mendes perguntou ao seu maior puxa-saco quem mais ele admirava no mundo. “O senhor!”, foi a resposta. – E além de mim?, quis saber Amazonino. “Quem o senhor indicar!”, respondeu o lambe-botas. Meu amigo, o poeta e jornalista Aldísio Filgueiras me contou que,  na bela Manaus do milênio passado, os puxa-sacos se digladiavam pelo direito de preparar a vitamina de abacate e descascar os tucumãs e as pupunhas do café da manhã do então governador Gilberto Mestrinho. Meodeos...

>Exclusivo: bancada evangélica é fiel a Bolsonaro em 89% das votações

Pois a subserviência, que tem dezenas de sinônimos, como se verá mais à frente, e que é a segunda mais antiga profissão do mundo, continua na moda, e tem sido a marca mais nojenta do atual governo. Auxiliares graduados do Presidente Bolsonaro diariamente dão demonstrações da mais sórdida e oportunista adulação. O que não fazem por um naco de poder... O último ato de explicita sabujice foi perpetrado pelo general-ministro da saúde, que não teve a decência de pedir o boné e ir pra casa depois de ser publicamente desautorizado pelo capitão-presidente no caso do anúncio feito por ele da aquisição da vacina chinesa. Pelo contrário, curvou-se, subserviente: “Um manda, outro obedece”. Na caserna o respeito à hierarquia é fundamental. Se em plena batalha um soldado receber ordem para avançar, mesmo em condições arriscadas, seu dever é simplesmente obedecer. Mas num regime democrático, se o chefe dá uma ordem estapafúrdia ou desautoriza os atos de um subordinado, cabe a este, no mínimo por uma questão de vergonha na cara, discordar ou apenas devolver o cargo, limpar as gavetas e cair fora.

E a imagem das Forças Armadas? 

Mas o que se tem visto é precisamente o inverso. Altos oficiais militares sujeitam-se diariamente aos caprichos e rompantes de um capitão (que foi posto pra fora das Forças Armadas pela porta dos fundos, é bom não esquecer). O governador do Maranhão, Flávio Dino, escreveu outro dia numa rede social: “Já perdi as contas de quantos generais do Exército foram humilhados e agredidos nesse governo Bolsonaro. Só não consigo entender para que se submeter a isso. E será que ninguém se preocupa com a imagem e o futuro das Forças Armadas?”

Integrantes dos mais altos cargos do governo são repreendidos como moleques, como ocorreu com o Posto Ipiranga. Bolsonaro simplesmente disse que não ia mais fazer o Renda Brasil que Guedes havia triunfalmente anunciado, e sim manter o Bolsa-Família. Graças ao puxa-saquismo explícito, Guedes baixou as orelhas e disse apenas que “a última palavra é do presidente”. E assim o Posto Ipiranga virou borracharia de beira de estrada.

A lambição de botas dos congressistas 

No Congresso, a lambição de botas ficou explícita na sabatina ao futuro ministro do STF, Kássio Nunes. Numa demonstração de total falta de conhecimento do que significa o ritual de submeter um futuro membro da mais alta corte do país a uma inquirição sobre seus conhecimentos jurídicos, sua experiência e seus propósitos, o ato terminou se convertendo num desfile de louvaminhas e elogios. Tudo para ficar “de bem” com o chefe que o indicou. Auxiliares diretos submetem-se até ao risco de contágio pelo coronavírus, ao concordarem em aparecer junto ao caspitão-presidente em eventos públicos apinhados de gente sem usar máscara nem manter o distanciamento. Já que o chefe quer assim...

O puxa-saquismo compensa, sim. E não me venham dizer o contrário. Rei Lear, personagem de um clássico de 1605 de Sheakspeare, ao morrer divide o reino entre três de suas filhas. Mas nega uma porção para Cordélia, a mais nova, justamente a que tinha amor sincero por ele. Só que as outras massageavam com palavras e atos o ego do pai. E Cordélia, não. Era sincera, e isso o rei não suportava. Qualquer semelhança com um projeto de ditador das bandas de cá não é mera coincidência. Quantos auxiliares Bolsonaro já mandou pra casa simplesmente porque ousaram discordar dele e não o bajularam?

Alguns sinônimos de sabujo 

Pra terminar gloriosamente, aí vão alguns sinônimos de subserviência. Como dizia Millôr Fernandes, quem se abaixa aos poderosos, mostra a bunda aos oprimidos. Escolha um deles e quando ficar perto de quem preencher os requisitos para ser um bom puxa-saco, grite bem alto. No mínimo, vai se sentir muito melhor. Mas, atenção: depois de gritar..., corra! Eles são muito perigosos:

- Caçambeiro, cafofa, lambe-botas, derrengado, lambe-cu, adulão, baba-ovo, escova-botas, engrossador, corta-jaca, capacho, chaleira, chaleirista, cheira-cheira, chupa-caldo, turificador, turiferário, xeleléu, xereta, incensador, zumbaieiro, louvaminheiro, canonizador, bajoujo, banhista, lambe-esporas, lambeta, mesureiro, afocinhado no chão, capacho, mesureiro, pelego, sabujo, servil, servilão, sorrabador, sabujo, bajulador e… puxa-saco , é claro!

(O autor da frase lá de cima é um subserviente puxa-saco sabujo e bajulador tão desprezível que nem Bolsonaro, que é internacionalmente conhecido como um dos mais fiéis lambe-botas de Donald Trump, aguentou tê-lo por perto: é o filósofo de araque Olavo de Carvalho)

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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