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JORNADA DE TRABALHO
Congresso em Foco
2/3/2026 | Atualizado às 9:04
A proposta de revisão da escala 6x1, que prevê mudanças na jornada tradicional de seis dias de trabalho por um de descanso, entrou no radar da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) como um dos principais focos de preocupação do setor produtivo no Congresso. Para o presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a medida pode provocar desemprego, alta de custos e retração da atividade econômica.
"Isso pode destruir o mercado de trabalho, pode gerar uma série de demissões e aumentar um custo gigantesco. E esse custo, no fim das contas, será repassado ao consumidor", afirmou em entrevista ao Congresso em Foco.
A bancada defende que qualquer discussão sobre o tema tenha como eixo central a preservação dos empregos formais, o aumento da produtividade e o fortalecimento da negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores. Para a frente, eventuais alterações nas regras trabalhistas precisam considerar os impactos sobre custos operacionais, competitividade das empresas e capacidade de geração de postos de trabalho. Segundo Lupion, eventuais ajustes na jornada devem ser construídos por meio de diálogo entre as partes, respeitando as especificidades de cada setor da economia.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, diz que pretende votar a proposta em maio no Plenário. A medida é considerada prioritária pelo governo Lula este ano no Congresso.
Segundo o presidente da FPA, o debate sobre a jornada não pode ser conduzido sob pressão política ou calendário eleitoral. "Isso não pode ser feito no afogadilho nem em corrida contra o tempo, principalmente pensando em eleição", declarou.
Quem vai pagar
Para o deputado, a mudança estrutural na jornada de trabalho exige análise ampla dos impactos macroeconômicos. Ele argumenta que setores como agroindústria, frigoríficos, logística e comércio dependem de escala operacional contínua e que qualquer redução obrigatória de jornada, sem compensações, pode elevar custos fixos e pressionar a inflação.
"Alguém paga essa conta. E essa conta não pode ser paga pelo consumidor, nem pelo produtor que já está operando com juros elevados e dificuldade de crédito."
A crítica se insere em um contexto mais amplo de tensão entre a FPA e o governo Lula. Historicamente, a bancada ruralista tem resistido a medidas que considera intervencionistas ou que elevem o custo de produção. Durante o governo Bolsonaro, a frente teve forte interlocução com o Executivo, especialmente quando o Ministério da Agricultura era comandado por Tereza Cristina (PP-MS), ex-presidente da FPA. Hoje, segundo Lupion, o ambiente é de enfrentamento.
Mobilização conjunta
A estratégia da bancada é organizar uma mobilização conjunta com entidades patronais e outras frentes parlamentares para apresentar alternativas ou barrar mudanças consideradas prejudiciais. "Precisamos ouvir quem gera emprego e renda. Não se pode tomar uma decisão dessa magnitude sem avaliar o impacto real sobre a economia."
A discussão promete ser um dos embates centrais da agenda econômica no Congresso neste ano.
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