Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Comissão da Câmara rejeita recarga fracionada de botijões de gás

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

GÁS DE COZINHA

Comissão da Câmara rejeita recarga fracionada de botijões de gás

Parecer aprovado na Comissão de Minas e Energia afirma que o Gás do Povo já fixou regras para o setor. Deputados veem risco à segurança do consumidor e à rastreabilidade dos botijões.

Congresso em Foco

6/5/2026 | Atualizado às 14:39

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

A Comissão de Minas e Energia da Câmara impôs nesta quarta-feira (6) uma derrota à proposta de liberar a recarga fracionada e o enchimento de botijões de gás por terceiros. Ao aprovar parecer pela rejeição do projeto de lei 3.513/2023, o colegiado também enviou um recado político à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que discute mudanças semelhantes na regulação do setor.

De autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), o projeto pretendia autorizar o envasilhamento de botijões por empresas que não fossem donas da marca gravada no recipiente, além de permitir a recarga total ou parcial de recipientes transportáveis de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha.

Veja o relatório pela rejeição do projeto.

Projeto sobre botijões de gás foi rejeitado na Comissão de Minas e Energia nesta quarta-feira.

Projeto sobre botijões de gás foi rejeitado na Comissão de Minas e Energia nesta quarta-feira.Reprodução/Youtube

Na prática, a decisão representa um freio à chamada venda fracionada e ao "enchimento de outras marcas". O parecer contrário foi apresentado pelo deputado Beto Pereira (Republicanos-MS) e aprovado após debate com participação dos deputados Paulo Guedes (PT-MG), Hugo Leal (PSD-RJ) e Danilo Forte (PP-CE).

Relator cita Gás do Povo

No relatório, apresentado em 15 de abril, Beto Pereira reconheceu que iniciativas voltadas à ampliação da concorrência e à redução de custos no mercado de gás de cozinha têm relevância social, especialmente para famílias de menor renda. Mas sustentou que o Congresso já tratou do tema ao aprovar a Lei 15.348/2026, que instituiu o Gás do Povo e estabeleceu novas regras para a comercialização do GLP envasado.

Segundo o relator, a nova lei determina que o GLP seja comercializado em recipientes com marca comercial, entregues cheios e lacrados, com selo de inviolabilidade e identificação clara da quantidade líquida do produto e da empresa autorizada para o envase ou a distribuição. Para ele, esse modelo reforça a rastreabilidade, a identificação do responsável e os padrões de segurança.

"A solução normativa difere daquela proposta no projeto em análise", afirmou Beto Pereira no parecer. O relator, que não participou da comissão desta quarta, porque já não integra mais o colegiado, concluiu que autorizar o envasilhamento de recipientes de terceiros e a recarga fracionada poderia fragilizar os mecanismos de responsabilização e controle estabelecidos pelo novo marco legal.

Autor defendia mais concorrência

Na justificativa do projeto, Zarattini argumentou que o GLP tem elevada relevância social e está presente na maioria dos lares brasileiros. Para o autor, as regras atuais impõem limitações à concorrência, especialmente ao impedir que uma distribuidora envase botijões de outra marca e ao vedar a recarga fracionada por revendedores.

A proposta, segundo ele, buscava reduzir custos logísticos, ampliar a competição e oferecer uma alternativa mais econômica ao consumidor, sem afastar a regulamentação técnica da ANP. Essa tese, no entanto, foi derrotada na Comissão de Minas e Energia.

Voto em separado foi retirado

A votação foi marcada pela retirada de um voto em separado apresentado por Paulo Guedes. O deputado havia proposto retomar o texto original do projeto, mas recuou durante a reunião.

"Recebi agora um pedido do Ministério de Minas e Energia para que eu retirasse o meu voto em separado, em virtude de que isso poderia trazer algum problema para o programa Gás do Povo", disse o deputado mineiro.

Relator da medida provisória que deu origem ao Gás do Povo, Hugo Leal afirmou que o assunto já havia sido enfrentado durante a tramitação da MP 1.313/2025. Segundo ele, a segurança do botijão, a marca gravada no recipiente, o envase e o fracionamento foram debatidos em audiências públicas e a questão acabou superada no texto que se transformou na Lei 15.348.

"Fizemos audiências, três audiências públicas na medida provisória, e um dos debates foi especificamente sobre a questão da segurança do enchimento dos botijões de gás", afirmou Hugo Leal durante a reunião.

O Gás do Povo é um programa social voltado a famílias de baixa renda, criado para facilitar o acesso ao botijão de gás de cozinha. No ponto que dialoga com o projeto rejeitado, a lei que instituiu o programa reforça que o GLP deve ser comercializado em botijões com marca identificada, cheios, lacrados e com selo de inviolabilidade. Para os defensores da rejeição, essa regra preserva a rastreabilidade, a segurança do consumidor e a identificação da empresa responsável pelo envase ou pela distribuição.

Segurança pública entrou no debate

Também presente à reunião, Danilo Forte associou a flexibilização das regras a riscos de segurança pública. O deputado afirmou que o setor de gás já sofre, em algumas regiões, com a atuação do crime organizado na comercialização de botijões.

"Ninguém pode dar margem, em momento algum, para que haja a infiltração do crime organizado no setor produtivo brasileiro", disse. Para ele, o consumidor precisa de "segurança e preço justo", e essa segurança depende da manutenção de controles sobre a distribuição, a quantidade e a qualidade do gás entregue.

O parlamentar também relatou casos de manipulação de botijões para enganar consumidores e defendeu o parecer de Beto Pereira como forma de garantir proteção ao usuário final.

ANP também discute mudanças

A rejeição do projeto ocorre em meio a uma disputa regulatória mais ampla. A ANP avalia, na Análise de Impacto Regulatório nº 2/2025, mudanças nas normas de distribuição e revenda de GLP. A discussão inclui temas como enchimento fracionado, envase por terceiros, destroca de vasilhames e enchimento de botijões de outras marcas.

A agência sustenta que o modelo atual pode impor barreiras à entrada de novos agentes e reduzir o dinamismo do mercado. A revisão das regras é associada à busca por mais concorrência, eficiência e novos modelos de negócio, desde que preservados níveis adequados de segurança.

OAB-SP aponta riscos

A OAB-SP também entrou no debate com nota técnica crítica à proposta em discussão na ANP. A Comissão Especial de Infraestrutura, Logística e Desenvolvimento Sustentável da entidade afirma que permitir o "enchimento de outras marcas" pode dificultar a rastreabilidade, a fiscalização e a definição de responsabilidade em caso de vazamento, explosão ou adulteração.

Para a entidade, a marca gravada em alto-relevo no corpo do botijão funciona como referência para o consumidor e para os órgãos de fiscalização. Ela indica qual empresa responde pelo recipiente, pela manutenção, pelo envase e pela segurança do produto. Se o botijão for envasado por outra distribuidora sem identificação inequívoca, a OAB-SP vê risco de transferir ao consumidor a dificuldade de provar quem causou eventual dano.

Próximos passos

Com a aprovação do parecer contrário na Comissão de Minas e Energia, o projeto de lei 3.513/2023 segue agora para a Comissão de Defesa do Consumidor. Se também receber parecer pela rejeição quanto ao mérito nesse colegiado, a proposta será considerada rejeitada e arquivada, salvo recurso ao Plenário. A tramitação é ordinária e conclusiva nas comissões.

O resultado, no entanto, já produz efeito político imediato. Ao rejeitar a proposta, a Comissão de Minas e Energia reforça a leitura de que o Congresso tende a preservar o modelo de rastreabilidade e identificação por marca adotado no Gás do Povo.

Leia Mais

OAB-SP aponta inconsistências em proposta da ANP para botijões de gás

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Beto Pereira comissão de minas e energia ANP Danilo Forte gás Hugo Leal Gás do povo Câmara Paulo Guedes

Temas

Congresso

LEIA MAIS

DEFESA DO CONSUMIDOR

OAB-SP aponta inconsistências em proposta da ANP para botijões de gás

Mato Grosso do Sul

Erika denuncia lei do MS que proíbe mulher trans em banheiro feminino

Câmara dos Deputados

Tabata prevê votação da criminalização da misoginia neste semestre

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES