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ECONOMIA

Gilmar Mendes cobra previsão orçamentária para novos gastos do Congresso

Ministro do Supremo alertou sobre inconstitucionalidade de projetos de lei que não cumpram as exigências da regra de ouro.

Congresso em Foco

11/6/2026 | Atualizado às 12:01

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O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, criticou em suas redes sociais a aprovação no Congresso Nacional de projetos de leis que comprometam o equilíbrio das contas públicas. Para o magistrado, as dificuldades internas e o cenário externo do Brasil exigem compromisso com a responsabilidade fiscal e cautela na criação de novas despesas.

"Atualmente, lidamos com um cenário internacional turbulento, com guerras, choque nos preços do petróleo e fontes de pressão nos preços dos alimentos. Há um risco relevante de vermos, em muitos países, inflação com baixo crescimento econômico, o que comumente coloca a governabilidade e estabilidade política em xeque", alertou.

Nesse sentido, segundo o ministro, "tal quadro exige que dediquemos especial atenção aos fundamentos de uma economia de mercado forte, (...) e para isso é necessário que haja responsabilidade fiscal".

Decano do STF avalia que desafios internos e externos impõem cautela no manejo das contas públicas.

Decano do STF avalia que desafios internos e externos impõem cautela no manejo das contas públicas. Antonio Augusto/STF

O comentário foi publicado no mesmo dia em que o Senado aprovou o projeto de lei 5.122/2023, que institui um novo programa de renegociação das dívidas de produtores rurais atingidos por catástrofes climáticas ou pelo impacto econômico de conflitos internacionais ocorridos nos últimos anos.

O projeto utiliza recursos do Fundo Social do Pré-Sal, o que deixou em alerta o Executivo em função da importância do fundo para políticas públicas já em vigor, como programas de promoção ao esporte e o próprio Minha Casa, Minha Vida. O ministro Dario Durigan avalia a possibilidade de judicializar a matéria.

Sem citar expressamente o projeto, Gilmar Mendes antecipou que o STF tende a não permitir novas despesas sem previsibilidade orçamentária e adequação à regra de ouro. "O Congresso precisa demonstrar quanto custa e de onde sai o dinheiro previamente à aprovação de novos gastos. O STF possui jurisprudência pacífica sobre o tema: a ausência desses estudos prévios gera a inconstitucionalidade da medida legislativa", declarou.

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Peso federativo

No mesmo dia, Mendes também falou a respeito de projetos de lei que criem encargos aos entes federados sem uma respectiva compensação. "O Congresso Nacional não pode criar despesas a serem suportadas por Estados e municípios sem indicar a fonte de custeio", reforçou.

O decano puxou como exemplo os diversos debates em curso no Congresso Nacional que estabelecem novos pisos salariais para categorias profissionais, muitas delas com ampla presença no serviço público. Relembrou o histórico do piso salarial da enfermagem, que enfrentou entraves no STF pela falta de definição clara de custeio aos governos e prefeituras.

"Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo", disse. Gilmar Mendes também alerta que, muitas vezes, tais pisos podem resultas em efeitos adversos, como redução de oportunidades de emprego para a respectiva categoria.

"São essas mesmas razões que explicam a possibilidade de os estados fixarem pisos salariais regionais. Cuida-se do reconhecimento de que as realidades fáticas e orçamentárias locais são distintas e merecem tratamento diferenciado", sugeriu.

Sua publicação dialoga com o discurso proferido em Plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se queixou do excesso de cobranças pela inclusão em pauta de propostas de piso salarial em ano eleitoral, sem uma análise profunda sobre o impacto econômico de cada projeto.

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