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Justiça dos EUA admite entrada da AGU em ação da Rumble contra Moraes

Juíza reconheceu o governo brasileiro como representante legítimo do ministro Alexandre de Moraes em ação movida por empresa ligada a Trump.

Congresso em Foco

23/6/2026 19:08

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A Justiça dos Estados Unidos autorizou nesta terça-feira (23) o ingresso da República Federativa do Brasil na ação movida pelas empresas Rumble e Trump Media & Technology Group contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A decisão foi proferida pela juíza Mary Scriven, da Corte Distrital da Flórida, que também adiou a análise do pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para extinguir o processo.

AGU argumenta que o processo trata de decisões tomadas por Moraes na condição de ministro, e não como indivíduo.

AGU argumenta que o processo trata de decisões tomadas por Moraes na condição de ministro, e não como indivíduo.Magnific

Pedido da AGU

O pedido de intervenção foi protocolado pelo governo brasileiro no último dia 15. Na manifestação, a AGU argumentou que a ação envolve decisões tomadas pelo STF no exercício de suas competências constitucionais e sustentou que tribunais estrangeiros não podem revisar atos jurisdicionais brasileiros.

A autarquia brasileira também pediu a extinção do processo, tendo em vista que trata de decisões protegidas pela imunidade de jurisdição prevista no direito internacional e reconhecida pela legislação norte-americana.

O órgão também sustenta que a ação discute ato jurisdicional praticado por integrante da cúpula do Poder Judiciário brasileiro e invoca a imunidade de agentes públicos estrangeiros, a doutrina dos atos de Estado e os princípios de cortesia internacional para defender o encerramento da ação.

Ao admitir o ingresso do Brasil, a juíza determinou que as empresas autoras da ação apresentem, em até 14 dias, resposta à demanda.

Veja a íntegra da decisão.

Rumble x Moraes

A Rumble e a Trump Media acionaram a Justiça norte-americana ainda em 2025 para contestar decisões de Moraes que determinaram a remoção ou suspensão de perfis em plataformas digitais. As empresas argumentam que as ordens violariam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de expressão.

As decisões questionadas atingiram contas ligadas a influenciadores e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora a Trump Media não tenha sido alvo direto das determinações do STF, a companhia sustenta que depende da infraestrutura tecnológica da Rumble para operar a rede social Truth Social.

Em junho, a Justiça Federal da Flórida autorizou a notificação de Alexandre de Moraes por e-mail, destravando o andamento da ação, que estava paralisada há meses por dificuldades na citação formal do ministro. O ministro não respondeu à notificação, e os autores pediram que fosse reconhecida sua revelia.

Com a entrada da AGU no processo, a possibilidade de revelia fica afastada.

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