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Caso Master
Congresso em Foco
2/9/2026 8:03
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evitou comentar nesta terça-feira (1º) as mensagens que indicam uma relação de proximidade entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Questionado sobre o que achou das revelações, respondeu: "Eu não achei nada, não devo achar nada".
Alcolumbre concentrou a resposta no número de pedidos de impeachment de ministros do Supremo que estão no Congresso. Segundo ele, existem atualmente 109 solicitações envolvendo os dez integrantes da Corte.
"A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. São 109 solicitações no Congresso, dos dez ministros do Supremo, de pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal."
A declaração foi dada após a divulgação de informações de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
O material registra contatos do ex-dono do Banco Master com uma pessoa identificada em seu aparelho como Alexandre de Moraes e aponta encontros entre os dois. Parte das mensagens é atribuída diretamente ao ministro; em outros trechos, a PF trata a identificação do interlocutor como suspeita.
Segundo o relatório, Vorcaro procurou Moraes enquanto acompanhava o avanço das investigações contra o Banco Master.
As mensagens recuperadas pela PF incluem pedidos para que autoridades como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fossem procuradas.
Os documentos divulgados até agora não demonstram que os pedidos feitos pelo ex-banqueiro tenham sido atendidos.
Pressão por impeachment
A divulgação do material aumentou a cobrança para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dê andamento aos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Nesta terça-feira, o senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou que protocolou uma nova denúncia contra o ministro. Segundo o parlamentar, as informações reveladas justificariam a apuração de possível crime de responsabilidade.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também defendeu a saída de Moraes e propôs a paralisação das votações no Senado até que o ministro renuncie ou seja alvo de um processo de impeachment.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, cobrou a abertura imediata de um processo. O senador afirmou que as mensagens indicariam crime de responsabilidade e pediu diretamente a Alcolumbre que coloque o tema em votação no plenário.
Ao todo, ao menos nove senadores defenderam no plenário do Senado o afastamento ou a renúncia de Moraes após a divulgação do relatório da Polícia Federal.
A mobilização também chegou à Câmara. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que pretende encaminhar ao STF um pedido de abertura de investigação sobre os contatos atribuídos a Moraes e Vorcaro. Segundo a assessoria do parlamentar, a petição incluirá pedidos de afastamento cautelar e prisão preventiva do ministro.
Cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Os pedidos apresentados à Casa passam por análise antes de uma eventual deliberação dos senadores.
Até hoje, nenhum processo de impeachment contra ministro do Supremo foi aprovado.
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