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Crise no Supremo
Congresso em Foco
17/9/2026 | Atualizado às 9:56
O ministro Gilmar Mendes, do STF, voltou a chamar o colega André Mendonça de "pixuleco eleitoral" nesta quinta-feira (17).
Em publicação nas redes sociais, o decano saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e acusou Mendonça de tentar obter ganhos políticos com a divulgação de informações relacionadas ao caso Master.
Gilmar criticou a retirada do sigilo de conversas em que o nome de Gonet aparece e afirmou que o procurador-geral teve a reputação atingida apesar de, segundo o ministro, os diálogos não indicarem prática ilícita. Na sessão de terça-feira (15), o próprio Gonet afirmou ter recebido com satisfação o reconhecimento de Mendonça de que os elementos reunidos não apontavam irregularidade de sua parte.
Para Gilmar, a posterior manifestação de Mendonça não reparou os efeitos da exposição.
"Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário."
O decano também questionou um vídeo publicado por Mendonça nas redes sociais em agradecimento a manifestações de apoio. Foi nesse ponto que voltou a usar a expressão que já havia empregado durante a sessão do STF.
"A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular."
Na sequência, acrescentou: "Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral".
Termo já havia sido usado no plenário
Gilmar já havia chamado a atuação de Mendonça de "pixuleco eleitoral" durante a sessão extraordinária de terça-feira.
Na ocasião, acusou a condução do caso de ter viés político-eleitoral e questionou a escolha do momento em que as informações foram tornadas públicas. Mendonça reagiu às críticas e exigiu respeito do colega.
A sessão analisava uma questão de ordem sobre a possibilidade de tramitação conjunta das Petições 16.662 e 16.704, relacionadas às investigações do caso Master. O mérito dos processos não chegou a ser examinado.
A discussão foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Comparação com Lava Jato
Na publicação desta quinta, Gilmar também comparou a atuação que atribui a Mendonça às práticas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol durante a Operação Lava Jato. Segundo o ministro, vazamentos e retiradas de sigilo teriam sido utilizados naquele período para produzir efeitos políticos antes de decisões judiciais.
Gilmar também associou o momento da divulgação das informações ao calendário eleitoral e ao 7 de Setembro. As afirmações são acusações do próprio ministro e foram contestadas por Mendonça durante a sessão de terça-feira, quando os dois protagonizaram sucessivos embates no plenário.
Gonet, por sua vez, negou durante a sessão qualquer relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo o procurador-geral, houve apenas um encontro, na presença de outras autoridades, em abril de 2024, e uma ligação intermediada por advogado, que classificou como "brevíssima e banal".
Gilmar encerrou a publicação manifestando "integral solidariedade" ao procurador-geral e afirmando que Gonet tem reputação e trajetória pública marcadas pela lisura.
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