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Moraes diz que "sigilo seletivo" de Mendonça "obstaculariza" análise

Ministro acusou colega de retirar sigilo apenas "do que entendeu conveniente".

11/9/2026
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Em ofício enviado à Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, elevou o tom contra André Mendonça ao questionar a forma como documentos ligados ao caso Master foram disponibilizados aos integrantes da Corte.

Moraes solicitou nesta sexta-feira (11) ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que outros 180 documentos fossem tirados do sigilo e acusou Mendonça de adotar "seletividade" quando atendeu ao pedido de derrubada de sigilo de casos ligados ao Master.

Ministro critica "sigilo seletivo" de Mendonça em caso Master.Ton Molina/STF | Arte Congresso em Foco

Segundo o ministro, as 4.334 peças retiradas do sigilo escondem uma "supressão de 180 documentos", o que a situação "obstaculiza gravemente a análise probatória".

"Além disso, ao cumprir parcialmente a decisão de Vossa Excelência, o Ministro André Mendonça, diretamente interessado no julgamento de ambas as PETs 16.704 e 16.662, selecionou subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente."

O ministro não se limita a dizer que parte dos documentos permaneceu sob sigilo. Ele atribui diretamente a Mendonça uma seleção "subjetiva" do material e afirma que o colega tornou público apenas aquilo que "entendeu conveniente".

Entenda

A tensão no STF ganhou força a partir de decisões e investigações ligadas ao caso Banco Master, especialmente em procedimentos sob relatoria do ministro André Mendonça. Em 3 de setembro, Alexandre de Moraes levou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma comunicação com acusações contra o colega.

O relator do caso Master havia levantado o sigilo de parte da investigação, que alcançava Moraes, inclusive com referências a mensagens enviadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para um número atribuído ao ministro.

Moraes afirmou que o colega teria ultrapassado os limites da relatoria ao direcionar investigações, interferir na condução de diligências e incluir como alvos o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Essa manifestação deu origem à Petição 16.704, parte do inquérito das fake news, que passou a concentrar parte das acusações.

O conflito se ampliou quando Mendonça determinou o afastamento da cúpula da Polícia Federal e adotou decisões que depois passaram a ser questionadas pela Procuradoria-Geral da República e por outros ministros.

No dia seguinte, Flávio Dino mandou reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e Leandro Almada à Diretoria de Inteligência. Fachin interveio e afirmou que a coexistência de procedimentos relacionados, sob diferentes relatorias, criava um "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual".

O presidente do STF passou então a centralizar na Presidência informações relacionadas aos casos e suspendeu as duas liminares. Ao intervir nas decisões conflitantes, afirmou que o STF havia chegado a um quadro de "conflitos e sobreposições processuais" capaz de configurar "grave lesão à ordem pública e à integridade deste tribunal".

Fachin determinou sessão extraordinária na próxima terça-feira (15) para analisar pedido da PGR pela nulidade do relatório. Na mesma decisão, o ministro revogou a designação de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news.

Na noite de quinta-feira (10), a discussão chegou a um novo patamar com a determinação de Fachin que solicitou a retirada do sigilo completo no inquérito sob relatoria de Mendonça, que atendeu ao pedido. Moraes então enviou ofício ao presidente da Corte para informar a supressão de 180 documentos e requerer a divulgação, o que levou Fachin a estebelecer prazo de 24h para que as peças passem a constar no processo.

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