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Paulo José Cunha

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30/8/2021 | Atualizado 10/10/2021 às 16:53

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Augusto Aras defendeu a eficiência e segurança das urnas eletrônicas, e não aceitará alegações de fraude eleitoral. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Augusto Aras defendeu a eficiência e segurança das urnas eletrônicas, e não aceitará alegações de fraude eleitoral. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Se não pode ajudar, pelo menos não atrapalha, né? A oposição no Senado, ao contribuir para a recondução de Augusto Aras à Procuradoria Geral da República, rebaixou-se ao que há de mais fisiológico na forma de atuar da base do governo. Se deputados e senadores governistas se vendem por um cargo, uma emenda parlamentar, uma prebenda ou um troco que possa lhes garantir a reeleição, isso é grave, condenável e digno das mais severas críticas. Mas a oposição, se quer fazer jus a esse nome, precisa se dar ao respeito e se comportar como oposição, a fim de igualmente merecer o respeito do eleitorado. Não adianta vir com o argumento furado de que Aras desmontou a Operação Lava-jato, aquela que pesou a mão sobre Lula e o levou à prisão pela canalhice oportunista desse juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro. E que, por isso, Aras seria merecedor de uma compensaçãozinha, um votinho de confiança, um agradinho a título de retribuição. Tudo bem que, sem os votos da oposição, Aras já havia garantido o número mínimo de votos para se manter na PGR. Justamente por isso, a oposição não tinha motivo para agachar-se vergonhosamente e, quase em tom de bajulação, oferecer-lhe um voto de confiança. Como se ele merecesse alguma confiança, haja vista o que já enfiou debaixo da mesa ou escondeu no cós das calças para proteger Bolsonaro e sua gangue. Ao criticar a Operação Lava-jato, que se revelou muito mais uma Operação Caça-Lula e ajudar no seu desmonte, Augusto Aras não fez mais do que sua obrigação, embora nesse ponto merecesse aplausos da bancada oposicionista. Mas o aplauso termina aí. Daí em diante, o Procurador Geral da República comportou-se de forma abjeta, muito mais como Procurador Geral de Bolsonaro do que da República. Nem mesmo poderia ser classificado como Procurador Geral do Governo Bolsonaro, o que por si já constituiria um condenável desvio de função. Portanto, Aras merece ser criticado e acusado diariamente pela oposição pela leniência com que se comporta diante das mais graves denúncias contra o governo. E deveria, sim, ter recebido voto contrário à sua recondução. Soam, no mínimo, como prova de ingenuidade política afirmações como as feitas por relevantes próceres oposicionistas como o senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, que pediu – isso mesmo: pediu, e não exigiu, como seria de sua obrigação - que ele “cumpra rigorosamente os seus deveres constitucionais, especialmente em defesa do Estado democrático de Direito”. Ora, mas que oposição é essa, que se agacha a ponto de “pedir” e diz “esperar” que Aras cumpra suas obrigações constitucionais, se ele já deu sobejas provas de que não está disposto a cumprir com esses deveres, mas apenas ficar bem junto a Bolsonaro, de olho numa vaga no Supremo? Na mesma triste toada, o líder do PT na Câmara, deputado Bohn Gass, PEDIU a Aras que tenha mais independência em relação ao Executivo no que tange aos ataques de Bolsonaro ao Legislativo e ao Judiciário. Oposição digna desse nome não tem de pedir coisa alguma, mas sim de EXIGIR que ele cumpra suas funções constitucionais, sob pena de sofrer um processo por prevaricação e ponto final. Desse ângulo, vale ressaltar a posição firme e independente do Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), único a se expressar com voz altiva ao se posicionar num voto em separado contra a recondução de Aras e apontar um acordo nojento e oportunista entre oposição e Centrão. Elaborou uma lista com duas dezenas de casos em que Aras foi omisso ou atuou fora de suas prerrogativas de Procurador Geral da República, citando, entre elas, a falta de fiscalização por parte do Executivo nas medidas de combate à pandemia e na extraordinária capacidade de Augusto Aras arquivar denúncias contra Bolsonaro e outros integrantes do governo. Se a oposição pretende ter alguma chance de derrotar Bolsonaro em 2022, precisa, no mínimo, portar-se à altura da confiança que lhe foi depositada quando elegeu seus representantes. Pois é nobre a derrota de cabeça erguida. Já a adesão aos vitoriosos por oportunismo ou retribuição por “serviços prestados” é, apernas, vergonhosa. Como dizia Millôr Fernandes, quem se agacha aos poderosos mostra a bunda aos oprimidos. O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]. > Outros artigos de Paulo José Cunha
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