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CRISE INSTITUCIONAL
Congresso em Foco
3/9/2026 | Atualizado às 21:50
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quinta-feira (3) uma investigação que alcance todos os envolvidos no escândalo do Banco Master, em meio à crise provocada pelas revelações da Polícia Federal e pela disputa entre ministros do STF sobre a condução do caso.
Para o chefe de governo, "é fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer", declarou. O pronunciamento foi feito logo após o ministro Alexandre de Moraes pedir que André Mendonça, relator dos inquéritos do caso Master e da fraude do INSS, seja investigado por abuso de prerrogativas e crime de responsabilidade.
Veja a fala:
Lula classificou o caso Master como "o maior roubo da história do Brasil" e destacou que há suspeitas sobre a participação de políticos e agentes públicos. O presidente também ressaltou que Daniel Vorcaro foi preso e o banco, fechado durante seu governo.
Ao encerrar seu pronunciamento, Lula vinculou a necessidade de esclarecimento do caso à confiança pública nas instituições. "O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade."
Crítica aos vazamentos
O petista ainda criticou a divulgação fragmentada de informações sob sigilo e cobrou diretamente do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma atuação capaz de preservar a credibilidade das apurações. "Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos", afirmou.
Na avaliação do presidente, a gravidade da crise exige protagonismo das duas autoridades. "Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações."
Lula também defendeu mudanças institucionais diante dos episódios revelados no caso. Segundo ele, os sistemas político e judiciário precisam passar por "reformas profundas", e autoridades públicas devem colocar suas obrigações institucionais acima de interesses particulares.
Movimentação de Fachin
A manifestação ocorre no mesmo dia em que Fachin deu prazo de cinco dias úteis para André Mendonça, Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestarem esclarecimentos sobre aspectos da investigação que desencadeou a crise no Supremo.
O presidente da Corte quer esclarecer, entre outros pontos, se a PF observou as regras aplicáveis ao surgimento de indícios contra autoridades com foro no STF, as circunstâncias de uma determinação de Mendonça para identificação de pessoas mencionadas no material investigativo e possíveis episódios envolvendo acesso a documento particular e revelação de informações sigilosas.
Disputa no STF
O despacho de Fachin veio após Moraes pedir a apuração de possíveis irregularidades cometidas por Mendonça na condução das operações Compliance Zero e Sem Desconto,. Moraes apontou suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade e acusou o colega de interferir na atuação da PF e direcionar diligências.
A crise ganhou força com a divulgação de relatório produzido pela Polícia Federal no caso Master. O material trouxe mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes e informações sobre o contrato do banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Mendonça encaminhou o relatório à PGR, que pediu a nulidade do documento.
Moraes reagiu recorrendo a relatórios internos da própria PF para questionar a atuação de Mendonça. A corporação relatou ter recebido ordens de monitorar autoridades com prerrogativas de foro, incluindo ministros da Suprema Corte e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
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