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TRABALHO POR APP
Congresso em Foco
29/1/2026 16:58
Motoristas e entregadores que trabalham por aplicativos têm uma renda mais estável do que a de muitos outros trabalhadores brasileiros, apesar das variações mensais na demanda. A conclusão é de um estudo do economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados recentes do IBGE sobre trabalho em plataformas digitais.
Segundo a análise publicada na Veja, a principal razão é que esses profissionais conseguem iniciar rapidamente uma atividade remunerada em períodos de inatividade, reduzindo o risco de ficar sem renda por longos intervalos. Os aplicativos funcionam como uma alternativa imediata diante do desemprego ou da informalidade.
Para chegar ao resultado, o estudo comparou a evolução da renda de trabalhadores mais presentes nessas plataformas, como homens jovens de grandes centros urbanos com acesso à internet, ao longo de cinco trimestres, com a de outros grupos. As oscilações observadas foram menores entre os que atuam nos aplicativos.
O estudo mostra ainda que, dependendo da escolaridade, os ganhos podem ser até 50% maiores do que os de trabalhadores em outras ocupações. Entre aqueles sem ensino médio completo, a renda média nos aplicativos é de R$ 2.870, contra R$ 1.920 em atividades semelhantes fora das plataformas.
Setor em crescimento
Dados divulgados pelo IBGE indicam que o número de pessoas com os aplicativos como principal fonte de renda cresceu 25% entre 2022 e 2024, totalizando 1,7 milhão de trabalhadores. Esse contingente representa cerca de 2% da força de trabalho no setor privado.
O levantamento da FGV também aponta que o trabalho por plataformas pode reduzir em até um ponto percentual a taxa de desocupação no país. Pelas estimativas, a taxa registrada em 5,2% em novembro poderia chegar a 6,2% sem a existência desses serviços digitais.
Regulamentação em andamento
A regulamentação dos serviços de transporte e entregas por aplicativo começou a ser debatida na Câmara dos Deputados no segundo semestre de 2025, em comissão especial presidida pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) e relatada pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE).
O colegiado busca construir uma norma que garanta regras claras ao setor, assegurando os direitos e deveres dos trabalhadores de forma equilibrada e dando previsibilidade a todos os envolvidos.
Uma versão inicial do parecer do relator foi apresentada em dezembro, mas não foi bem recebida por instituições de defesa dos direitos do consumidor ao incluir uma taxa mínima de entregas incompatível com as condições de pequenos e médios municípios. A falta de consenso levou a um adiamento, com previsão da votação de um novo texto no primeiro semestre de 2026.
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