Entrar
Cadastro
Entrar
Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Câmara dos Deputados
Congresso em Foco
24/2/2026 18:15
Em entrevista ao Congresso em Foco, o deputado Kiko Celeguim (PT-SP) afirmou que o desafio da regulação do trabalho intermediado por aplicativos é construir um texto que proteja quem trabalha e, ao mesmo tempo, organize o mercado para que continue a contribuir com a economia brasileira.
Celeguim apontou dois eixos centrais que evidenciam a importância da regulamentação da forma de trabalho pelo Legislativo. Na avaliação do parlamentar, além de garantir seguridade aos trabalhadores, o texto deve organizar o mercado para contribuir com o mercado nacional.
Para Celeguim, não se trata apenas de discutir vínculos formais ou modelos de contrato, porque é necessário olhar para o cenário econômico do setor que movimenta bilhões anualmente. O deputado defendeu que a regulamentação pode ser um instrumento para que esse setor continue crescendo.
"A regulamentação deve proteger o trabalhador mas, sobretudo, organizar o mercado, para que seja um vetor em crescimento da economia e que contribua com o rateio do que a gente precisa para que todo mundo prospere contribuindo com tributos e responsabilidades para o Estado brasileiro."
Quanto ao andamento da pauta no Congresso, o parlamentar relembrou que a comissão realizou um debate longo e abrangente ao ouvir diferentes vozes do setor. Celeguim reiterou que a construção do relatório "já é fruto de um amplo debate público" e apontou que a escuta deve ter continuidade para que o texto traga equilíbrio.
O deputado ressaltou que o relatório em discussão na comissão especial de que participa foi elaborado como um compilado de diferentes projetos e contribuições acumuladas ao longo dos últimos anos. Essa condição, segundo Celeguim, facilitará a deliberação.
Celeguim afirmou ainda que a atual composição do Congresso oferece obstáculos importantes para qualquer avanço em matéria trabalhista.
"Nós sabemos o quanto o Congresso Nacional, infelizmente, é refratário a qualquer tipo de regulamentação trabalhista, mas nós vamos votar para que esse trabalhador seja protegido, prestigiado, e o mercado bem regulamentado possa contribuir à economia como qualquer outro setor."
Ajustes
Embora defenda o trabalho do relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), Celeguim reconheceu as contradições do texto e reiterou a possibilidade de mudanças.
"Tem esse lado positivo, que foi ouvir toda a sociedade brasileira, é um relatório grande, abrangente, versa sobre todos os aspectos da profissão. Tem contradições, obviamente, é claro, que são passíveis de ajustes."
Segundo o deputado, o mérito da comissão foi abrir espaço para que trabalhadores, empresas, especialistas e representantes de diferentes setores pudessem se manifestar. Justamente por tentar abarcar tantos temas, como afirmou Celeguim, o texto acumulou contradições que agora precisam ser enfrentadas.
"O relatório ainda está muito aberto ao debate público. O texto traz outros aspectos a serem avaliados. Acho que tivemos esse período de maturação por conta do recesso, muita gente se debruçou, estudou e formou opinião contra e a favor."
O deputado se mostrou otimista de que, "com mais uma rodada de discussão", o relatório possa avançar em formato "se não de consenso, abrangendo uma grande maioria aqui no Parlamento."
Comissão especial
A comissão, criada em 19 de agosto, discute o projeto de lei que estabelece regras para regulamentar o transporte remunerado de passageiros e de bens por plataformas digitais. O colegiado, presidido pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), possui 17 membros.
Em 2025, o colegiado aprovou 50 requerimentos e ouviu 77 convidados. Motoristas, empresas, acadêmicos e representantes de instituições participaram do debate. Ao todo, foram realizadas 15 reuniões. O relatório do deputado Coutinho foi apresentado em dezembro, mas a votação foi adiada.
Temas
LEIA MAIS
Câmara dos Deputados
Falta de quórum cancela debate sobre regulação do trabalho por app
CÂMARA DOS DEPUTADOS
Comissão aprova repúdio ao TJMG por autorizar casamento aos 12 anos