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IMUNIDADE OU IMPUNIDADE

Assembleias soltaram 12 de 13 deputados presos; Moraes cita impunidade

STF barra Alerj no caso Thiago Rangel após assembleias soltarem 12 de 13 deputados presos; oito eram do Rio. Moraes critica "sistema de total impunidade". Veja a lista dos parlamentares beneficiados.

Congresso em Foco

8/5/2026 | Atualizado às 9:01

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As assembleias legislativas soltaram ou atuaram para reverter a prisão de 12 dos 13 deputados estaduais presos por crimes comuns, sem relação com o exercício do mandato, segundo levantamento citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em decisão confirmada nesta quinta-feira (7) pela 1ª Turma, Moraes impediu que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) revisse a prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), investigado na Operação Unha e Carne.

A Alerj é a casa legislativa que mais aparece no levantamento do ministro. De acordo com Moraes, das 12 prisões de deputados estaduais afastadas, oito ocorreram no Rio de Janeiro. Para o relator, assembleias estaduais passaram a usar a imunidade parlamentar para "garantir um sistema de total impunidade aos deputados estaduais", inclusive em casos de crimes sem vínculo com opiniões, votos ou atividade parlamentar.

Veja a íntegra da decisão de Moraes.

Em 2019, Rodrigo Bacellar defendeu, na tribuna da Alerj, a soltura de colegas presos pela Lava Jato. Em 2025, ele também teve sua prisão derrubada pela assembleia. Posteriormente, foi preso outra vez.

Em 2019, Rodrigo Bacellar defendeu, na tribuna da Alerj, a soltura de colegas presos pela Lava Jato. Em 2025, ele também teve sua prisão derrubada pela assembleia. Posteriormente, foi preso outra vez.Thiago Lontra/Alerj

Unha e Carne

A 1ª Turma referendou por unanimidade a decisão de Moraes. Votaram pela manutenção da prisão de Rangel os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, além do próprio relator. O colegiado também confirmou que a Alerj não poderá deliberar sobre a soltura do parlamentar.

Rangel foi preso na terça-feira (5), durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Na mesma decisão, Moraes também determinou o afastamento do deputado do mandato e ordenou buscas em 21 endereços.

"Perpetuação da impunidade"

Em sua decisão, Moraes fez uma crítica ao uso das imunidades parlamentares por assembleias estaduais. A Constituição do Rio, assim como outras constituições estaduais, prevê que deputados não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, e que a Assembleia deve resolver sobre a prisão. Moraes afastou essa regra no caso de Rangel.

Para o ministro, a aplicação automática da norma "não é razoável, proporcional e adequada" quando deixa de proteger a independência do Legislativo e passa a servir à "perpetuação de impunidade de verdadeiras organizações criminosas infiltradas no seio do Poder Público".

Único deputado estadual que não conseguiu reverter a prisão na Assembleia Legislativa, Binho Galinha trocou de partido para disputar a reeleição este ano. Ele está preso desde outubro, acusado de chefiar uma milícia.

Único deputado estadual que não conseguiu reverter a prisão na Assembleia Legislativa, Binho Galinha trocou de partido para disputar a reeleição este ano. Ele está preso desde outubro, acusado de chefiar uma milícia.Thiago Lontra/Alerj

Ministro defende rediscussão de imunidade

Moraes foi além. Disse que o STF precisa rediscutir o alcance da extensão automática das imunidades dos deputados federais aos parlamentares estaduais porque, segundo ele, a regra vem sendo aplicada "mesmo às infrações penais sem qualquer relação com o exercício do mandato", inclusive em casos de "participação de parlamentares estaduais em organizações criminosas". Essa possibilidade, afirmou o ministro, está "gerando e impulsionando candidaturas de diversos membros de facções criminosas à procura de impunidade".

Na decisão, Moraes também resgatou voto anterior, no qual criticou o uso de normas estaduais como barreira à responsabilização criminal de autoridades. Segundo ele, a aplicação abusiva desse tipo de regra "degenerou o espírito da norma" e atacou o princípio republicano da "responsabilidade de todos perante a lei, sem qualquer distinção". Em outro trecho citado por Moraes como aplicável ao caso atual, a norma-obstáculo é descrita como "verdadeiro escárnio aos princípios regentes da República" e como "escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas".


Os deputados soltos e o único mantido preso pelas Assembleias:

A decisão de Moraes lista deputados estaduais presos em investigações criminais e mostra que, com a exceção de um único caso, a prisão foi afastada. Abaixo, os casos organizados por estado, com os crimes atribuídos na decisão do ministro e o ano em que ocorreram.

Rio de Janeiro (Alerj)

A Alerj é a assembleia com maior número de casos no levantamento. Segundo Moraes, o Rio concentra oito das prisões afastadas.

Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (2017)

Os três, então deputados estaduais do MDB, foram presos na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato no Rio. A Alerj revogou as prisões por 39 votos a 19. Na decisão de Moraes, os crimes atribuídos ao grupo eram de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

André Corrêa, Luiz Martins, Marcus Vinicius Neskau, Chiquinho da Mangueira e Marcos Abrahão - (2018/2019)

Os cinco foram presos na Operação Furna da Onça, investigação do âmbito da Lava Jato sobre pagamento de propina a deputados estaduais durante o governo Sérgio Cabral. Em outubro de 2019, a Alerj aprovou a soltura deles por 39 votos a 25. Eles eram suspeitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Rodrigo Bacellar (2025)

Presidente afastado da Alerj, Bacellar foi preso na Operação Unha e Carne, sob suspeita de vazar informações sigilosas de investigação. Cinco dias depois, o Plenário da Alerj decidiu, por 42 votos a 21, revogar a prisão. Os crimes atribuídos eram organização criminosa armada com participação de funcionário público e obstrução de investigação envolvendo organização criminosa. Bacellar foi preso novamente em março deste ano, após ter o mandato cassado, por obstrução de investigações sobre vazamento de informações sigilosas.

Mato Grosso (ALMT)

Gilmar Fabris (2017)

O deputado estadual Gilmar Fabris foi preso por suspeita de obstrução de Justiça em investigação da Operação Malebolge. Depois de cerca de 40 dias preso, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso votou pela revogação da prisão e pela devolução do mandato. O deputado era acusado de obstrução de Justiça.

Mauro Savi (2018)

Mauro Savi foi preso na Operação Bereré/Bônus, que investigava desvio de recursos no Detran de Mato Grosso. A Assembleia aprovou resolução pela soltura do parlamentar, embora a decisão tenha enfrentado resistência no Judiciário estadual. No levantamento de Moraes, o caso aparece como "liberação". Os crimes atribuídos eram corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e afastamento de licitante mediante fraude.

Espírito Santo (Ales)

Capitão Assumção (2024)

O deputado estadual Capitão Assumção foi preso por descumprir medidas cautelares impostas pelo STF, entre elas a proibição de usar redes sociais. A Assembleia Legislativa do Espírito Santo revogou a prisão por 24 votos a 4. Além do descumprimento da cautelar, era acusado de calúnia, injúria e difamação e incitação ao crime.

Bahia (Alba)

Binho Galinha (2025)

O único caso do levantamento em que a prisão foi mantida é o do deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha. A Assembleia Legislativa da Bahia decidiu manter a prisão do parlamentar, acusado de liderar uma organização criminosa. Era acusado de lavagem de dinheiro, receptação qualificada e agiotagem.

De acordo com a denúncia, Binho chefiava uma milícia em Feira de Santana, a 110 km de Salvador. Ele foi preso preventivamente no dia 3 de outubro do ano passado após ficar dois dias foragido. Ele foi um dos alvos da "Operação Estado Anômico", que prendeu outras nove pessoas. Binho Galinha afirma ser inocente e diz ser vítima de perseguição. Mesmo da prisão, ele se filiou ao Avante, em abril, para tentar a reeleição. Anteriormente, era filiado ao PRD.


Supremo mira uso político da imunidade

A decisão sobre Thiago Rangel não acaba, de forma geral, com a prerrogativa prevista nas constituições estaduais. Moraes afastou a aplicação da regra apenas no caso concreto. Mas o voto abre caminho para uma rediscussão mais ampla no Supremo sobre os limites das imunidades de deputados estaduais.

O ministro sustenta que a proteção constitucional existe para impedir prisões arbitrárias e preservar a independência do Legislativo, não para blindar parlamentares acusados de crimes comuns. Segundo Moraes, as imunidades "não dizem respeito à figura do parlamentar, mas à função por ele exercida".

Governos e crimes comuns

A decisão também aproxima o debate dos deputados estaduais de outro precedente do STF: o julgamento que derrubou a necessidade de autorização prévia das assembleias para processar governadores por crimes comuns. Naquele caso, a Corte entendeu que o aval político obrigatório violava o princípio republicano, a separação dos Poderes e a igualdade perante a lei.

No caso Rangel, Moraes aplicou raciocínio semelhante. Para ele, permitir que a Alerj decidisse sobre a prisão repetiria um padrão já criticado pelo Supremo: o uso de uma prerrogativa excepcional para impedir a atuação regular da Justiça.

A defesa de Thiago Rangel nega a prática de atos ilícitos e afirma que o deputado prestará os esclarecimentos necessários no curso da investigação. Segundo nota divulgada após a prisão, "qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida".

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