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COMPRAS INTERNACIONAIS

MP das Blusinhas: Leila mantém texto e prevê monitoramento de impactos

Relatora preserva regra que permite zerar imposto até US$ 50 e cria monitoramento dos efeitos da medida sobre o setor produtivo. Mudança foi acertada após conversas com representantes do governo e do empresariado.

Congresso em Foco

31/8/2026 | Atualizado às 13:29

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A relatora da chamada MP das Blusinhas, senadora Leila Barros (PDT-DF), decidiu manter o texto-base e incluir um mecanismo para que o Ministério da Fazenda avalie periodicamente os impactos da medida sobre o setor produtivo nacional.

Pelo desenho informado até agora, o acompanhamento será trimestral no início e, depois, semestral. Os dados deverão dar transparência aos efeitos da medida e poderão embasar futuras ações do governo caso sejam identificados impactos relevantes. Não haverá compensação automática nem medidas de mitigação previamente definidas na MP.

Leila Barros acertou versão do relatório em reunião no Palácio do Planalto com membros do governo.

Leila Barros acertou versão do relatório em reunião no Palácio do Planalto com membros do governo.Edilson Rodrigues/Agência Senado

"Vamos manter o texto-base da MP e incluir, a partir de uma demanda do setor produtivo, um mecanismo para que o Ministério da Fazenda avalie periodicamente os impactos da medida, dê transparência a esses dados e, caso sejam identificados efeitos relevantes, possa propor futuramente medidas de mitigação", afirmou Leila.

Com isso, a relatora preserva a essência da MP 1.357/2026, inclusive o dispositivo que permite zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, e atende parcialmente às preocupações apresentadas pelo setor produtivo.

Pressão por mudanças

As 112 emendas apresentadas à MP vão em direções distintas. Parte dos parlamentares quer ampliar a desoneração, elevando de US$ 50 para US$ 100 a faixa que poderia ter imposto federal zero. Outra tenta proteger indústria e varejo nacionais, mantendo a tributação sobre determinados produtos ou criando benefícios fiscais para empresas brasileiras.

O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) foi quem mais apresentou sugestões, com oito emendas. Os senadores Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) aparecem em seguida, com seis cada.

Entre as propostas estão a manutenção da alíquota de 20% para roupas e outros produtos têxteis importados, créditos tributários para produtos nacionais e limites ao poder da Fazenda para alterar alíquotas.

O mecanismo de acompanhamento incluído por Leila surgiu de uma demanda do setor produtivo. No domingo, a senadora ouviu representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), além do Instituto Unidos Brasil, Lojas Renner e Mercado Livre.

Segundo a assessoria da relatora, os dados produzidos pelo Ministério da Fazenda deverão subsidiar futuras reavaliações. Caso sejam constatados efeitos relevantes sobre o setor produtivo, poderão fundamentar medidas de mitigação posteriormente.

Prazo curto

Editada em maio, a MP autorizou o Ministério da Fazenda a alterar as alíquotas do Imposto de Importação sobre remessas internacionais. Uma portaria zerou o tributo federal para compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em empresas participantes do Remessa Conforme.

A expectativa é que o parecer seja apreciado pela comissão mista nesta terça-feira (1º). Depois, a medida ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado. A MP perde a validade em 8 de setembro. Se o Congresso não concluir a votação até lá, deixa de valer a redução que zerou o imposto federal de 20% sobre as compras de até US$ 50.

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