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JUDICIÁRIO

Ronaldo Caiado pede levantamento de sigilo nos casos Master e INSS

Presidenciável defende divulgação de material colhido pela PF para que eleitores possam decidir sobre seus candidatos.

Congresso em Foco

9/9/2026 17:59

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O ex-governador de Goiás e candidato à presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master, às fraudes no INSS e a outros casos que envolvam agentes públicos. Caiado argumenta que o material é necessário para que eleitores possam melhor escolher seus candidatos em outubro.

Na petição, o candidato solicita a abertura ao público do conteúdo das investigações e das informações já reunidas pela Polícia Federal. Segundo ele, a manutenção do sigilo faz com que parte dos dados chegue ao debate eleitoral por meio de vazamentos e boatos, sem que o eleitor tenha acesso ao conjunto do que foi apurado.

Caiado avalia que publicação dos inquéritos evitaria vazamentos seletivos.

Caiado avalia que publicação dos inquéritos evitaria vazamentos seletivos. Vinicius Nunes/Ag. F8/Folhapress

Um dos fundamentos apresentados é que a divulgação dos fatos relacionados aos casos Master e INSS permitiria ao eleitor conhecer eventuais irregularidades cometidas por candidatos. "Tão nociva quanto são as fake news, a ausência de informações ou a interdição a elas mostram-se igualmente prejudiciais", declarou.

A petição também relaciona o pedido às disputas para Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados, Senado, governos estaduais e presidência da República. "Não faz sentido que sobre esses inquéritos ainda vigorem medidas de sigilo e segredo de justiça. Não faz sentido que o povo brasileiro vá às urnas às cegas".

Outro argumento é que a divulgação das informações apenas depois das eleições pode levar eleitores a reavaliar o voto e afetar a confiança nas instituições. "A democracia não se constrói apenas na votação sufragada na urna; ela é erguida no alicerce da confiança que o pacto democrático possibilita estruturar", afirma.

Pedidos similares

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu a retirada do sigilo das investigações sobre o Banco Master. Lula afirmou que o país precisa conhecer as informações relacionadas a todos os envolvidos, "seja quem for, doa a quem doer", e vinculou a divulgação das apurações ao esclarecimento dos fatos relacionados ao caso.

Após a manifestação do chefe de governo, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) encaminhou aos ministros Flávio Dino e André Mendonça um ofício no qual pede o levantamento do sigilo dos inquéritos sobre o Banco Master que tramitam no STF. A parlamentar solicita que a providência alcance todas as pessoas investigadas, citadas ou relacionadas aos fatos, sem distinção por cargo ou vinculação política.

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Crise no STF

As declarações contrárias ao sigilo do caso Master ganharam força com a intensificação da crise interna no STF, que já começou a impactar sobre o funcionamento do próprio Poder Executivo.

Na terça-feira (8), o relator do inquérito do Master, ministro André Mendonça, determinou o afastamento do delegado Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência da corporação.

O ministro acusou a cúpula da PF de monitorar ilegalmente seu gabinete, citando os relatórios de inteligência anteriormente apresentados por Alexandre de Moraes para solicitar que Mendonça seja investigado no Inquérito das Fake News. A Segunda Turma do STF começou a analisar no mesmo dia o referendo da decisão e formou maioria pelo afastamento após os votos de Luiz Fux e Nunes Marques.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Gilmar Mendes, que defendeu a análise do caso pelo Plenário e questionou a legalidade da liminar do relator. No mesmo dia, a Advocacia-Geral da União pediu a recondução de Andrei Passos, e Edson Fachin deu a Mendonça o prazo de 72 horas para se manifestar.

Nesta quarta-feira (9), Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos após petição apresentada pelo diretor-geral da PF. Dino sustentou que o Novo não tinha legitimidade para pedir o afastamento dos dois dirigentes em uma investigação criminal e afirmou que a decisão de Mendonça atingiu agentes públicos que atuaram no cumprimento de determinações judiciais.

Dino também considerou inadequado que Mendonça decidisse sobre providências relacionadas a relatórios que tratavam da atuação do próprio ministro. Segundo ele, os documentos produzidos pela PF foram elaborados em atendimento a ordens de Alexandre de Moraes, circunstância que afastaria a interpretação de que Andrei e Almada agiram por iniciativa própria ao produzir ou encaminhar as informações.

Fachin anulou as decisões de ambos os ministros, e determinou que as ordens de investigação envolvendo membros da Corte deverão ser apreciadas em Plenário na terça-feira (15).

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