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DARK HORSE

Mário Frias seria peça central em esquema de Dark Horse, aponta Dino

Ministro diz que apuração indica atuação ativa do parlamentar em movimentações financeiras sob suspeita.

Congresso em Foco

13/9/2026 | Atualizado às 11:03

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O ministro Flávio Dino, do STF, afirmou que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) aparece como figura central e possível liderança da estrutura criminosa investigada no caso que alcança a produção de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A avaliação consta de decisão assinada neste domingo (13), na Petição 16.669.

Ao analisar material enviado pela Justiça de São Paulo, Dino afirmou que ganhou força a hipótese de existência de um esquema articulado para destinação e desvio de dinheiro público, com recursos provenientes principalmente de emendas parlamentares federais e da Prefeitura de São Paulo.

"Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que, no terreno hipotético da investigação, ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa."

Investigação analisa movimentações financeiras envolvendo Mário Frias e empresas ligadas ao núcleo investigado.

Investigação analisa movimentações financeiras envolvendo Mário Frias e empresas ligadas ao núcleo investigado. Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O ministro registrou ainda que a investigação menciona possíveis vínculos da estrutura investigada com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se, segundo a própria decisão, de uma linha de investigação, e não de uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

PF chama Frias de "agente central"

No despacho, Dino reproduz trechos da representação da Polícia Federal que embasou a reunião das investigações.

Segundo a PF, dados de inteligência financeira identificaram circulação de dinheiro envolvendo Frias, a empresa Complexsys, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

A Complexsys, contratada pelo ICB para executar projetos financiados com dinheiro público, teria recebido transferências feitas diretamente por Frias e, ao mesmo tempo, devolvido recursos ao próprio instituto. Também teria repassado valores à ANC.

Para os investigadores, o fluxo indicaria um "circuito financeiro fechado" entre integrantes do mesmo núcleo.

A PF aponta ainda transferências feitas por Frias à Go Up Entertainment, produtora responsável por "Dark Horse". Segundo a representação reproduzida por Dino, os valores movimentados seriam incompatíveis com os rendimentos declarados pelo parlamentar e com os créditos encontrados em suas contas bancárias.

Na avaliação dos investigadores, esse elemento faria Frias ultrapassar a condição de simples autor das emendas que teriam sido posteriormente desviadas por terceiros.

"Coloca o parlamentar federal como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação."

A Polícia Federal concluiu, a partir do conjunto de dados, haver "fortes indícios de uma única organização criminosa" voltada à captação, circulação e ocultação de recursos públicos, na qual Frias figuraria como "agente central".

A Go Up está ligada à produção de "Dark Horse". Investigações sobre o financiamento do longa passaram a se cruzar com a apuração de possíveis desvios de recursos públicos destinados por emendas de Frias.

Investigação fica concentrada na PF

A decisão deste domingo também amplia o material disponível aos investigadores federais.

Dino determinou que o secretário de Segurança Pública de São Paulo entregue à PF todos os dados brutos extraídos de celulares apreendidos pela Polícia Civil paulista em junho.

Celulares, computadores e outros documentos apreendidos também deverão passar para a custódia da Polícia Federal. O ministro levantou ainda o sigilo de todo o material enviado pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Foro Central Criminal da Barra Funda.

Dino também autorizou a requisição de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o ministro, os documentos poderão confirmar ou descartar caminhos considerados relevantes pelos investigadores.

A Operação Make Up foi deflagrada pela PF na quinta-feira (10), com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

A investigação apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes em contratações públicas.

Em manifestação anterior sobre as investigações, Frias negou irregularidades, classificou o caso como uma "cortina de fumaça" e afirmou que colaboraria com as autoridades.

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