Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Colunas >
  3. Dia Mundial da Justiça Social expõe retrocessos no Brasil | Congresso em Foco

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News
LEIA TAMBÉM

Alessandra Nilo

PEC da Blindagem: o Brasil se afasta da Agenda 2030

Alessandra Nilo

A infância roubada pelas telas

Alessandra Nilo

Análise: Financiamento para o desenvolvimento global e nacional

Alessandra Nilo

A urgência do Brasil em romper laços com Israel

Alessandra Nilo

A quem interessa bloquear a participação das mulheres na política?

Dia Mundial da Justiça Social expõe retrocessos no Brasil

Alessandra Nilo

Alessandra Nilo

20/2/2019 | Atualizado 10/10/2021 às 15:49

A-A+
COMPARTILHE ESTA COLUNA

Dentre as 27 unidades da federação, 22 sofrem com superlotação de presídios. No Piauí, quantidade de presos supera o dobro do número de vagas. Foto: Sindicato dos Servidores Penitenciários do Maranhão/Divulgação

Dentre as 27 unidades da federação, 22 sofrem com superlotação de presídios. No Piauí, quantidade de presos supera o dobro do número de vagas. Foto: Sindicato dos Servidores Penitenciários do Maranhão/Divulgação
Nesta quarta-feira, 20 de fevereiro, comemora-se o Dia Mundial da Justiça Social, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Trata-se de uma excelente oportunidade para refletirmos sobre a luta contra a pobreza, a exclusão, o preconceito e o desemprego. A justiça social está no cerne da Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável. De maneira geral, podemos dizer que a erradicação da pobreza e o fim da fome são questões de justiça social, assim como a saúde e o bem-estar da população, a educação de qualidade, a igualdade de gênero, o acesso à Justiça, e assim por diante. Mas, será que o Brasil tem algo a celebrar? Infelizmente, não. E, apesar de não ser uma novidade afirmar que nos últimos anos testemunhamos uma série de retrocessos no campo do desenvolvimento social que se intensificaram neste início de 2019, é importante insistir na afirmação de que é obrigação e responsabilidade dos três poderes – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – de, articuladamente, reverterem o quadro atual. O Relatório Luz 2018, documento que analisa a implementação da Agenda 2030, já mostrava que o Brasil dificilmente cumpriria os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A redução de programas sociais e de transferência de renda, a limitação dos gastos públicos, a MP da Grilagem, a reforma trabalhista, o aumento do desemprego, entre tantos outros problemas, indicavam que o gigante estava, de fato, dormindo, ficando para trás. Mas era difícil imaginar que a situação se deterioraria de forma tão grave. O quadro atual é muito mais preocupante. Dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, mostram que o Brasil fechou 2018 com taxa de desocupação de 12,7% e 12,8 milhões de desempregados, com a informalidade atingindo novo nível recorde. E, para quem vive em situação de pobreza, está difícil manter a esperança: são 54,8 milhões (26,5%) vivendo com menos de R$ 406 (US$ 5,5/dia) por mês, número que chega a 25,5 milhões no Nordeste (44,8%). Mulheres pretas ou pardas constituem o grupo mais vulnerável e a situação delas tende a se agravar com medidas como a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a transferência da demarcação de terras indígenas e quilombolas para o Ministério da Agricultura. Enquanto raposas cuidam do galinheiro, o Brasil fica cada vez mais perto de voltar ao Mapa da Fome. Os dados mostram que a vulnerabilidade à fome e a extrema pobreza andam de mãos dadas, condição que se agrava quando direitos sociais são suprimidos e o Estado se omite em garantir proteção social aos grupos mais vulneráveis, em especial mulheres negras, quilombolas e indígenas. E é neste contexto que, por exemplo, 10% da população brasileira concentram quase metade da renda do Brasil, sem que projetos como os da tributação de grandes fortunas avancem. Não é possível que o país siga inerte enquanto aprofunda-se o abismo social entre ricos e pobres, enquanto as prioridades do recém-eleito governo federal alimentam e fortalecem uma cultura de exclusão baseada em raça, gênero e orientação sexual. Outro indicador estruturante para a justiça social em pleno colapso é a existência de sociedades pacíficas, com baixo nível de violência e de impunidade e acesso equitativo à justiça para todas as pessoas.  Mas, na área da segurança, por exemplo, o projeto de lei anticrime (como se houvesse alguma lei favorável a crimes) recém-proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, propõe medidas que aumentam a violência policial – a tal licença para matar dada a policiais –, geram encarceramento em massa e impõem técnicas autoritárias de investigação. Não apenas isso. O projeto também aumenta o risco de criminalização dos movimentos sociais e sindicatos, entidades historicamente responsáveis pela idealização de políticas e programas voltados à justiça social e que, em seu dia-a-dia, beneficiam na ponta milhares de pessoas que as atuais políticas negligenciam. É de se questionar se Moro achou tímida a Medida Provisória 870/2019 que, entre outros retrocessos e inconstitucionalmente, coloca os organismos internacionais e as organizações não governamentais sob monitoramento da Secretaria de Governo. Finalmente, e não menos importante, é o absurdo que representa o Decreto nº 9.685/2019, que flexibilizou a posse de armas e dificultará, e muito, a promoção de sociedades pacíficas e inclusivas, demonstrando que o governo federal repassou aos brasileiros a responsabilidade de defenderem-se a si mesmos, algo incompatível com as obrigações do que entendemos como Estado de direito – seja ele mínimo ou não.  O arremate, para inviabilização do alcance do ODS 16 veio com as mudanças na Lei de Acesso à Informação que, sob a justificativa de diminuir burocracia, permitem que servidores comissionados classifiquem informações como secretas ou ultrassecretas, na verdade configuram um ataque à transparência e à democracia. Num contexto tão turbulento, talvez nunca tenha sido tão importante para cada um de nós, brasileiros e brasileiras, perguntarmos que tipo de sociedade queremos para o presente – mal completamos dois meses do novo governo – e para o futuro. Achamos mesmo que a justiça social é importante para o Brasil? Ou apenas queremos que o circo pegue fogo, não importando quem esteja no picadeiro para nos entreter? O dia 20 de fevereiro é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre essas questões.  

Da mesma autora:

> Um novo Itamaraty de ideias velhas e perigosas para o Brasil

> Agenda 2030: por que ela importa ao Brasil?

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

IBGE ONU desenvolvimento sustentável lei de acesso à informação Consea Sérgio Moro justiça social Pnad Contínua Alessandra Nilo MP da Grilagem agenda 2030 Relatório Luz 2018

Temas

Meio Ambiente Direitos Humanos Colunistas
COLUNAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES