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Concretizar o golpe - A vontade do juiz em detrimento da própria lei

Autoria e responsabilidade de Dr. Rosinha

13/10/2016 8:00

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O Brasil parece um carro capotando ladeira abaixo. Gira uma, duas, três vezes, parece que vai equilibrar​​ e​...​ volta a despencar. Se ganha alguma estabilidade vem um grupo e empurra e o carro cai mais alguns barrancos. Ocorre que​,​ se deixar pela vontade dos que (empurram) se apoderaram do poder​,​ esse (país) carro vai continuar caindo e vai causar danos por muitos anos. Danos principalmente ​às novas gerações e aos pobres, que não terão direito ​à saúde publica e ​à educação p​ú​blica de qualidade. No momento, após o golpe que derrubou Dilma Rousseff da Presidência, vivemos no Brasil um Estado de exceção. Não sou eu quem afirmo, mas sim o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O TRF4, que arquivou uma representação contra o juiz S​é​rgio Moro. O cioso juiz Moro divulgou grampos envolvendo autoridades com foro privilegiado. Interpelado pelo comportamento ilegal​, o TRF4 decidiu, por 13 votos a 1, que Moro não havia cometido qualquer ilegalidade. O relator do processo, desembargador federal Rômulo Pizzolatti, entendeu que não há indícios de prática de infração disciplinar por parte de Moro​. N​a sua decisão​,​ afirmou: “É sabido que os processos e investigações criminais decorrentes da chamada Operação Lava Jato, sob a direção do magistrado representado, constituem caso inédito (único, excepcional) no Direito brasileiro. Em tais condições, neles haverá situações inéditas, que escaparão ao regramento genérico, destinado aos casos comuns”. [caption id="attachment_266941" align="alignright" width="390" caption="Lula é “troféu” em tempos de “golpe”, diz Dr. Rosinha"][fotografo]Lula Marques/AGPT[/fotografo][/caption]Os que acompanharam esse voto confirmaram o caso “excepcional”, ou seja, a exceção. Portanto​,​ essa decisão confessa que vivemos num Estado de exceção. Outra decisão que comprova o Estado de exceção foi a do Supremo Tribunal Federal (STF)​​ ao aprovar a prisão após condenação em segunda instância. Uma das alegações é que os advogados dos réus fazem chicana para que seus clientes não sejam presos. Ora, se os advogados estão nitidamente usando desse artifício​,​ cabe ao juiz identificar e decidir mais rapidamente as ações. Hoje​,​ a Justiça, mesmo quando não há chicana, é lenta e​,​ na maioria das vezes​,​ a responsabilidade dessa lentidão ​é dos próprios juízes. É fácil evidenciar que há processos que​,​ vencidos todos os prazos de defesa e acusação, por razões várias, dormem nas gavetas de muitos juízes. Para ​estes, não há punição. Essa decisão do STF me levou a procurar no Google uma entrevista que o ex-ministro Eros Grau deu anos atrás ao Le Monde Diplomatique. Encontrei-a (1 de dezembro de 2010) e aqui transcrevo alguns trechos. Diz o ex-ministro que o tempo (6 anos) em que esteve no STF foi “um período sacrificado” não pela quantidade de trabalho, mas por ter que tomar decisões “que vão determinar a vida das pessoas​”​. A decisão recentemente tomada de prisão após condenação em segunda instancia não leva em consideração a vida das pessoas e tampouco a Constituição. Em outras respostas​,​ Eros Grau afirma que o “Supremo de hoje é produto da nossa história, da história do Brasil​ [...]. ​Mas nós vivemos altos e baixos e as nossas instituições tiveram altos e baixos”. Não só o STF é fruto da história, mas sim todo o ​P​oder Judiciário. E ​é preciso lembrar que a nossa história é a do preconceito, do racismo, da perseguição política. Resumindo, da casa grande e da senzala. É a história de formação de castas que persistem até hoje. Também lembro que​,​ no momento​,​ as instituições estão em baixa. Quem ​as ​respeita? Mais duas observações de Eros Grau que são pertinentes. Primeira: ele afirma que se “você deixar a sociedade ser levada pela emoção, ela lincha, ela arrebenta, tudo isso. O Supremo tem que atuar com prudência, quer dizer, evitar o desvario”. Sinto que​,​ ao contrário do que diz Grau, no momento, parece que ​o ​STF procede com desregramento. Segunda: diz ​ele que “​o​ juiz se acha no direito de dizer ‘essa lei não é razoável’”.  “​O que prevalece é a opinião dele, e não a lei.” É isto que estamos vendo no Brasil do pré e do ​pós-​golpe. Juízes jogam mais para a mídia e para a plateia que para fazer justiça. Delegados, procuradores e juízes disputam que​m​ persegue e prende mais petistas. E o objetivo é ganhar o troféu, concretizar o golpe, prender Lula. Mais sobre Judiciário Mais sobre crise brasileira
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