Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosPrêmioRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Colunas >
  3. O vício em bets é exatamente igual ao tabagismo e ao alcoolismo | Congresso em Foco

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News
LEIA TAMBÉM

Paulo José Cunha

Elon Musk trilionário: uma vergonha planetária

Paulo José Cunha

Até quando o jornalismo permanecerá passivo diante das redes sociais?

Paulo José Cunha

O dia em que Sadi virou Geni

Paulo José Cunha

A ignorância voluntária e as verdades inconvenientes

Paulo José Cunha

Há algo de errado no reino do Banco Central

Apostas esportivas

O vício em bets é exatamente igual ao tabagismo e ao alcoolismo

Avanço da ludopatia e do endividamento das famílias exige limites mais rígidos para a propaganda das plataformas de apostas.

Paulo José Cunha

Paulo José Cunha

6/7/2026 13:00

A-A+
COMPARTILHE ESTA COLUNA

Para quem nunca viveu ou teve na família ou nas suas relações um caso de vício em bets, parece exagerada a preocupação com a sedução perigosa que os jogos eletrônicos causam nos apostadores. Mas a verdade é que, a partir da primeira aposta, muitos, centenas, milhares, milhões deles não conseguem mais largar o vício e vão se afundando e afundando suas famílias em dívidas intermináveis. Ainda recentemente, uma enfermeira de Goiânia, Raquel Negrão, publicou um vídeo com um alerta sobre o perigo das apostas em bets, ao descobrir uma dívida de quase R$ 1 milhão deixada pelo marido, após a morte dele em setembro de 2023. Para realçar a dimensão econômica do estrago, a colunista Circe Cunha, do Correio Braziliense, citou um estudo de 2024, em que a autoridade monetária estimou que os gastos em apostas variavam entre R$20 bilhões e R$30 bilhões.

O número de brasileiros que apostam em plataformas online continua crescendo. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) aponta que o percentual de apostadores pulou de 14% da população em 2023 para 17% no ano passado. E segue crescendo assustadoramente. Outra pesquisa, agora da Quaest, constatou que 29% dos brasileiros – praticamente um terço da população – revelaram que apostam em bets. E uma fatia expressiva, cerca de 19%, chega a comprometer a renda familiar ou o orçamento mensal com esses jogos. Uma realidade de tirar o fôlego. Nessa toada, os brasileiros já destinaram R$ 507,3 milhões para casas de apostas esportivas regularizadas desde o início da Copa, segundo levantamento da Klavi, empresa especializada em Open Finance.

Esses números exibem um quadro assustador, que comprova sem qualquer margem de dúvida que as apostas em bets oferecem risco real da contração de um vício: a ludopatia. Vício igual ao tabagismo, ao alcoolismo ou à dependência em drogas. E precisamente por isso precisa ser combatido com urgência pela aplicação das ferramentas jurídicas disponíveis. Até porque, de costas para a realidade dolorosa que sua atividade provoca, as plataformas de apostas, de olho exclusivamente nos lucros – tal como um traficante de drogas ou uma fabricante de cigarros – passaram a ocupar amplos espaços na internet, dominando competições esportivas, patrocinando clubes, comprando horários na televisão ou invadindo, de maneira permanente, celulares e redes sociais de milhões de brasileiros, como aponta Circe Cunha.

Crescimento do vício em apostas e seus impactos financeiros e psicológicos mostram que a regulação da publicidade não pode mais ser adiada.

Crescimento do vício em apostas e seus impactos financeiros e psicológicos mostram que a regulação da publicidade não pode mais ser adiada.Magnific

O Ministério da Justiça, ciente do quadro, mandou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abrir investigação para apurar irregularidades durante a transmissão da Copa pela CazéTV, por incentivar as apostas durante as transmissões dos jogos. A própria CazéTV baixou a bola e reduziu a divulgação das bets depois que o Senado determinou uma averiguação contra a CazéTV Produções Ltda. Ela própria passou a recomendar cautela e mandou seus comentaristas afirmarem que as apostas só devem ser realizadas para fins de entretenimento. Anteriormente, os comentaristas até avaliavam as chances de sucesso em determinadas apostas. Providência tópicas e sem qualquer efeito prático, convenhamos.

O assunto é de tamanha gravidade que no Congresso já tramitam projetos como o da deputada Camila Jara (PT-MS), que veda a indução ao comportamento especulativo e a publicidade dissimulada de apostas durantes transmissões esportivas. Proíbe até os locutores e comentaristas de analisarem cotações ou retorno financeiro de apostas. A própria deputada afirmou que milhares de famílias entraram em inadimplência por causa do vício nas bets. "Dinheiro que colocava comida no prato tá indo para as casas de apostas, cerca de 143 bilhões de reais". Sem falar que a dinheirama que circula nesse mercado pode e com certeza tem sido utilizada para a lavagem de recursos do crime organizado.

A propagandas de bebidas alcoólicas nunca foi totalmente proibida na TV brasileira, mas desde 1996 os anúncios só podem ser exibidos entre 21h e 6h, excluindo a cerveja que é considerada bebida de baixo teor pela antiga legislação. Já a propaganda de cigarros foi proibida definitivamente em dezembro de 2000, quando entrou em vigor a legislação que proibiu a publicidade de tabaco nos meios de comunicação de massa. Por que a propaganda das bets não segue o mesmo caminho?

Até quando Executivo e Legislativo ficarão inertes diante da devastação causada pelo vício nas apostas eletrônicas, que em nada difere do tabagismo e do alcoolismo? Até quando famílias serão devastadas financeiramente pelos jogos eletrônicos que neste momento têm publicidade irrestrita garantida em todos os meios de comunicação? Até quando o governo permanecerá de braços cruzados enquanto os ganhos suados de pais de família escorrem velozmente para os cofres dos magnatas da jogatina eletrônica?


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

bets CazéTV publicidade ludopatia

Temas

Apostas esportivas
COLUNAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES