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Marina Helou
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Eleições
14/9/2026 | Atualizado às 17:25
Quando cheguei à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, há quase oito anos, carregava comigo algumas convicções consolidadas ao longo da minha trajetória, inspiradas por lideranças políticas que sempre admirei, entre elas, principalmente, Marina Silva. Uma delas era a de que uma boa política pública não nasce pronta dentro de um gabinete. Ela precisa de escuta, evidência, diálogo e disposição para se concretizar e impactar positivamente a vida das pessoas.
Uma das histórias que melhor representa essa forma de fazer política começou com uma cena que estava se tornando cada vez mais comum nas escolas e preocupando pais e educadores: crianças e adolescentes cada vez mais conectados aos celulares e menos presentes nas relações, na sala de aula e no próprio processo de aprendizagem.
Professores relatavam dificuldades de concentração e os estudos demonstravam os impactos negativos do uso excessivo das telas sobre a aprendizagem, a convivência e a saúde mental. Diante de um problema que afetava a rotina das escolas, entendemos que o poder público também precisava assumir sua responsabilidade.
Foi dessa escuta, somada às evidências, que nasceu a lei que restringiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de São Paulo. A proposta enfrentou resistências, exigiu diálogo dentro e fora da Assembleia, mas virou lei. Pouco depois, o debate ganhou o país e uma legislação nacional passou a restringir os aparelhos nas escolas brasileiras.
Tenho muito orgulho dessa conquista. Não apenas porque São Paulo ajudou a antecipar uma discussão nacional, mas porque ela representa algo em que acredito: a política precisa ter coragem para agir diante de problemas novos, mesmo quando as respostas ainda não parecem óbvias.
Foi com esse mesmo espírito que colocamos a infância no centro do mandato. Mais recentemente, transformamos em lei a garantia da amamentação nas creches públicas e privadas do estado. A medida reconhece que proteger a primeira infância também significa criar condições para que mães e crianças possam exercer esse direito, inclusive depois da volta da mãe ao trabalho.
Na agenda ambiental, buscamos transformar a emergência climática em ação concreta. Destinamos emendas para viabilizar, em parceria com o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, o monitoramento do desmatamento nos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.
Também aprovamos uma lei para garantir o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos gerados em grandes eventos públicos e privados, que ainda aguarda regulamentação do governo estadual.
Sempre acreditei que a população deve participar das decisões políticas, inclusive sobre os rumos do orçamento público (a própria definição de 'público já deveria tornar isso óbvio, não é mesmo?). Por isso, criamos o Edital das Marinas, trazendo participação e transparência para a destinação das nossas emendas parlamentares, um contraponto às distorções que vemos, sobretudo, nas emendas federais. Na edição deste ano, 275 projetos foram habilitados e, após votação popular, 20 selecionados para receber R$200 mil cada.
É essa experiência que quero levar adiante, ampliando o alcance do que aprendemos sobre infância, adaptação climática, cuidado e participação. Depois de oito anos, continuo acreditando que política boa é aquela que escuta, enfrenta o que precisa ser enfrentado e consegue, passo a passo, cuidar das pessoas. É com esse propósito que quero seguir.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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